Venezuela aprova lei de anistia para presos por protestos políticos

  • 19/02/2026
(Foto: Reprodução)
Presidente interina da Venezuela propõe anistia geral A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou nesta quinta-feira (19), em segunda e última votação, um projeto de lei de anistia para presos políticos. Todos os parlamentares votaram a favor da proposta. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O texto já havia sido aprovado por unanimidade em primeira votação no dia 5 de fevereiro. Desde então, a votação final foi adiada mais de uma vez. A aprovação ocorre enquanto familiares de detentos completavam o quinto dia de greve de fome. “O projeto de lei para a convivência democrática está aprovado. Ele será encaminhado à presidente interina, Delcy Rodríguez, para promulgação”, declarou o presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez. A lei prevê a libertação de detidos e o cancelamento de outras medidas impostas pelo governo. Na prática, a medida pode ser um caminho que permita o retorno ao país de opositores que vivem no exterior. O texto, no entanto, estabelece exceções. Não terão direito ao benefício pessoas que promoverem, instigarem, solicitarem, invocarem, favorecerem, facilitarem, financiarem ou participarem de ações armadas ou de força contra o povo, a soberania ou a integridade territorial da Venezuela. A redação também inclui casos que envolvam Estados, corporações ou pessoas estrangeiras. Isso pode abrir margem para barrar a anistia da líder opositora María Corina Machado, acusada pelo chavismo de ter defendido uma invasão dos Estados Unidos ao país. Organizações de direitos humanos afirmam que a proposta é limitada e não oferece alívio suficiente para centenas de pessoas classificadas como presas políticas. A lei prevê a libertação de detidos, a devolução de bens e o cancelamento de alertas da Interpol e de outras medidas internacionais impostas pelo governo. Na prática, isso pode permitir o retorno ao país de opositores que vivem no exterior. O governo nega a existência de presos políticos. Há anos, oposição e entidades de direitos humanos acusam o chavismo de usar detenções para reprimir dissidentes, incluindo políticos, integrantes das forças de segurança, jornalistas e ativistas, com acusações como terrorismo e traição. A proposta foi anunciada em janeiro por Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após os Estados Unidos capturarem e deporem Nicolás Maduro. Desde então, o governo tem atendido a exigências norte-americanas e libertado alguns dos presos políticos. Segundo a ONG Foro Penal, pelo menos 644 pessoas continuam presas por motivações políticas na Venezuela. O projeto Venezuelanos protestam pela libertação de presos políticos em 5 de fevereiro de 2026 REUTERS/Maxwell Briceno O texto aprovado tem 13 artigos e é mais vago do que o rascunho que circulou no início do mês. Na versão inicial, a anistia abrangeria crimes cometidos entre 1º de janeiro de 1999 e a data de entrada em vigor da lei. O perdão não valeria para condenados por violações de direitos humanos, crimes de guerra, assassinato, corrupção ou tráfico de drogas. Outros delitos, como resistência à autoridade, danos ao patrimônio, rebelião e traição, poderiam ser incluídos, desde que tivessem ocorrido no contexto de protestos políticos. O texto citava manifestações registradas em 2007, 2014, 2017, 2019 e 2024. A proposta também previa a retirada de alertas vermelhos da Interpol e a revogação de sanções políticas. A medida buscava garantir o retorno ao país de opositores no exterior. Já a versão levada ao plenário manteve a previsão de anistia ampla para fatos ocorridos nos 27 anos de chavismo. No entanto, não detalhou quais crimes poderão ser anistiados e incluiu exigências que geraram impasse. Um dos artigos determina que o benefício abrange quem esteja ou possa ser processado por delitos ocorridos desde 1999, desde que a pessoa esteja “à disposição da Justiça” ou se apresente aos tribunais na Venezuela. O ponto foi criticado pela oposição, especialmente em relação a exilados. Outro trecho enumera episódios específicos cobertos pela anistia, desde o golpe contra Hugo Chávez e a greve petrolífera de 2002 até os protestos contra a reeleição contestada de Nicolás Maduro em 2024. Além disso, o texto final excluiu da anistia quem tiver promovido ou participado de ações armadas ou de força contra a soberania do país, inclusive com envolvimento de Estados ou entidades estrangeiras. VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/19/venezuela-aprova-lei-de-anistia-para-presos-por-protestos-politicos.ghtml


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