Tamanduá nada? Registro raro mostra animal atravessando rio em SP; assista
20/01/2026
(Foto: Reprodução) Tamanduá-bandeira é flagrado nadando em rio no interior de SP; assista
Navegar pelas águas do Rio Grande, em Miguelópolis (SP), é algo que faz parte da rotina do Italo Tadeu Sousa. Há três anos ele atua como guia de pesca da região. No entanto, uma cena inusitada marcou o fim do expediente quando ele retornava à sua pousada. Ele avistou um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) nadando no meio do rio (veja o vídeo acima).
📱 Acompanhe o Terra da Gente também no WhatsApp
"Foi algo inesperado. Eu estava trabalhando e, por volta das 17h30, me preparei para vir embora quando me deparei com algo diferente dentro d'água. Então me aproximei para averiguar o que era e foi uma surpresa inacreditável: era um tamanduá-bandeira", contou.
Apesar de viver na região e trabalhar com pesca esportiva há três anos, o guia nunca tinha avistado um animal silvestre nadando naquele trecho.
“Eu não sei exatamente de onde ele veio, mas aparentemente ele estava ali com o objetivo de atravessar para o lado da mata. Eu fiquei admirado ao ver a cena, mas ao mesmo tempo fiquei com dó por não poder ajudá-lo. Deu para perceber que ele estava tentando subir contra a represa, porém não conseguiu e desceu rio abaixo por causa da água corrente”, relatou o guia.
Após o avistamento, o animal não foi mais visto nas redondezas. O guia acredita que o tamanduá tenha conseguido concluir a travessia e chegado à margem em segurança.
Veja mais notícias do Terra da Gente:
VÍDEO: Acasalamento aéreo de lesmas-leopardo impressiona; entenda o fenômeno
APRENDA O 'CAPIVARÊS': Capivaras latem, usam ultrassom e têm 10 sons para conversar
BATALHA NO AR: Pesquisadores flagram pela 1ª vez caninana atacando ninhos de gavião
Comportamento raro
Tamanduá-bandeira é flagrado nadando em rio no interior de SP
Italo Tadeu Sousa
Ao analisar as imagens, a médica veterinária do Instituto de Defesa da Fauna (IDF) Carime Carrera Pinhatti explica que, embora a espécie tenha habilidade na água, a cena é considerada rara.
“O tamanduá-bandeira gosta muito de se banhar em córregos, beira de rios e lagos, mas ver esse animal nadando não é um comportamento tão comum, não é algo que se vê com frequência”, pontuou.
O mamífero, que pode pesar mais de 40 kg, consegue se locomover de uma margem à outra. No entanto, conforme a especialista, ele só enfrenta essa travessia em casos de extrema necessidade, já que a natação é uma atividade desgastante para a espécie.
“Travessias longas ou em rios com correnteza intensa representam um alto custo energético, especialmente se o animal já estiver debilitado, estressado ou em deslocamento forçado devido à alguma ameaça como predadores, caça, perda de habitat”, explicou.
A veterinária disse ainda que muito provavelmente o tamanduá entrou na água por ter se assustado com algo em ambiente terrestre, ou estava fugindo de um possível predador, até mesmo de seres humanos ou caçadores. Outra possibilidade é a busca por um abrigo ou comida da outra margem.
Cuidado
Tamanduá-Bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
gestorambientalcoco / iNaturalist
Em caso de avistamento de animal silvestre o indicado é não se aproximar para não assustá-lo. Uma tentativa de contato próximo pode deixar o bicho estressado, e até mesmo prejudicar a travessia.
A ajuda sem treinamento pode colocar tanto o animal quanto as pessoas em risco, por isso o acionamento das autoridades competentes é sempre a conduta mais segura e indicada.
"Caso seja observado que o animal está ferido ou muito cansado, ou até mesmo que está se afogando, o ideal é que sejam acionados os órgãos competentes, como a Polícia Militar Ambiental, para realizar o resgate. Se a situação exigir ações mais imediatas, o resgate pode ser feito, mas com extrema cautela, pois, apesar de dóceis, eles são animais silvestres e possuem garras longas e fortes", pontuou a veterinária.
Avistamentos de tamanduás
Tamanduá chamada atenção ao passear por ruas de cidade em Minas
Não é raro encontrar flagrantes de tamanduás em ambientes urbanos sendo compartilhados nas redes sociais.
Segundo Carime, as observações de tamanduá-bandeira estão sendo mais frequentes devido a uma série de fatores ambientais e antrópicos.
Ela cita a fragmentação do habitat como um dos principais fatores que podem explicar essas aparições.
Tamanduá-Bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
laparte / iNaturalist
"Com áreas naturais cada vez mais isoladas, os animais acabam atravessando estradas, rios e até áreas urbanas durante seus deslocamentos. Soma-se a isso o aumento da circulação de pessoas durante as férias, o que eleva a chance de avistamentos e registros."
A especialista enfatiza que esses encontros não significam que os tamanduás estejam “invadindo” as cidades.
"[Eles] estão utilizando caminhos que sempre fizeram parte de seu território natural, hoje cada vez mais pressionado pela ocupação humana."
Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)
Conhecido também por papa-formigas, tamanduá-açu ou jurumim, o tamanduá-bandeira é o maior representante da família. As fêmeas, maiores que os machos, podem atingir 2 metros de comprimento — sendo que só a cauda pode medir até 90 cm.
O nome popular, inclusive, se deve a essa cauda grande e peluda, que lembra uma bandeira hasteada e pode ser usada como cobertor térmico.
A espécie possui ampla distribuição pela América Latina. No Brasil, ocorre em quase todos os biomas, não ocorrendo apenas no extremo sul (Pampa). É considerada uma espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A dieta desse gigante consiste principalmente em formigas e cupins, mas também inclui besouros e outros invertebrados. Tem hábito solitário e olfato apurado, compensando a visão, que é limitada. Após o período reprodutivo, as fêmeas costumam carregar os filhotes nas costas.
VÍDEOS: Destaques Terra da Gente
Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente