Rota do dinheiro: entenda a triangulação entre fundos investigados e o resort da família Toffoli
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Entenda a triangulação entre fundos investigados e o resort da família Toffoli
A teia que envolve o banco Master ganhou contornos mais nítidos com a compreensão da rota do dinheiro que abasteceu o Resort Tayayá, no Paraná.
No centro da polêmica está a empresa Maridt, da qual o ministro Dias Toffoli revelou ser sócio, que recebeu milhões de um fundo de investimento ligado a outro fundo, cujo cotista único era Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A Maridt, que é administrada pelos irmãos de Toffoli, recebeu R$ 3,1 milhões do fundo Arleen quando vendeu a parte que tinha no Resort Tayayá, em 2021.
O fundo Arleen, que comprou a parte da Maridt no resort Tayayá em setembro de 2021, investiu R$ 20,7 milhões nas empresas responsáveis pelo empreendimento, a DGEP e a Tayayá.
Esse fundo recebeu R$ 19,9 milhões de um outro fundo, chamado Leal, cujo único dono é Zettel, o cunhado de Vorcaro.
Sobre a venda da participação do resort ao fundo Arleen, Toffoli alegou não saber quem estava por trás do negócio.
O principal cotista do fundo Arleen é justamente o fundo Leal, de Zettel. E ambos são geridos pela Reag.
A Reag Investimentos, de João Carlos Mansur, é uma administradora de investimentos que já havia aparecido na Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
No caso Master, segundo a Polícia Federal, a Reag utilizava fundos para inflar artificialmente o patrimônio do banco, em operações onde o dinheiro "passeava" por empresas e voltava valorizado em até 1.000% em poucas horas, sem nunca sair fisicamente do banco.
Família Toffoli e o resort de luxo
Reprodução/GloboNews
Participação em empresa
Toffoli admitiu pela primeira vez, nesta quinta (12), que é sócio da Maridt junto com os irmãos José Carlos e José Eugênio Toffoli, responsáveis pela gestão da empresa.
O nome do ministro não aparecia nos registros públicos porque a Maridt é uma empresa de sociedade anônima de capital fechado, que não é obrigada a identificar todos sócios não administradores.
Em nota, ele negou ter qualquer tipo de relação pessoal ou financeira com Vorcaro.
Na quarta (11), como o blog revelou, direção da PF enviou ao Supremo o relatório da perícia realizada no celular de Vorcaro apreendido em novembro.
Segundo as investigações, o nome de Toffoli aparece em mensagens encontradas.
Essa revelação aumentou a pressão sobre o ministro para que deixe a relatoria do caso.
O que é a Maridt
Fundada em agosto de 2020, a Maridt se tornou sócia do Resort Tayayá em dezembro daquele ano e permaneceu até fevereiro de 2025.
A empresa tem os irmãos Toffoli como sócios e recebeu R$ 3,1 milhões do Fundo Arleen. Documentos apontam que, ao todo, o fundo investiu R$ 20 milhões no resort.
Ofensiva no Congresso
O avanço das informações fez a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado reagir. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-RS), e o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), apresentaram requerimentos que devem ser votados nos próximos dias:
Quebra de sigilo: bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag Investimentos e de João Carlos Mansur;
Convocações: pedido para ouvir os irmãos do ministro, José Eugênio e José Carlos Toffoli, além do próprio Mansur.
O foco agora é entender se as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, que citam o ministro, têm relação direta com essa engenharia financeira que transformou um resort familiar em um duto de investimentos de fundos sob investigação federal.
Ministro do STF Dias Toffoli
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