Projeto de energia solar em Fernando de Noronha é alvo de críticas por desmatamento e falta de diálogo
09/02/2026
(Foto: Reprodução) Projeto de energia solar é criticado por moradores e ambientalistas de Noronha
O Projeto Noronha Verde, que vai promover a troca da matriz energética de Fernando de Noronha, tem sido alvo de questionamentos de moradores da ilha. A iniciativa é da Neoenergia e prevê um investimento de R$ 350 milhões, com a instalação de mais de 30 mil painéis solares e sistemas de armazenamento de energia em baterias.
Representantes de entidades locais e ambientalistas questionam a necessidade de retirada de vegetação para a instalação dos equipamentos, além da redução de áreas destinadas ao cultivo de alimentos (veja vídeo acima).
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Placas solares também foram instaladas no Açude Xaréu
Neoenergia/Divulgação
Os moradores também cobram explicações sobre a falta de utilização dos telhados de imóveis já existentes para a instalação das placas solares. O andamento do projeto tem gerado debate entre os moradores.
Os equipamentos das novas usinas solares devem ser instalados em áreas cedidas pela Aeronáutica, pela Administração da Ilha e pela Associação de Agricultores Noronha Terra.
A primeira etapa do projeto já foi licenciada pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), com anuência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e aprovação da Administração de Noronha.
Moradores e ambientalistas questionaram a redução de árvores para instalação dos equipamentos
Ana Clara Marinho/TV Globo
Moradores
O presidente da Assembleia Popular Noronhense (APN), Nino Lehnemann, afirmou nesta segunda-feira (9) que a troca da matriz energética é positiva. No entanto, ele disse não entender por qual motivo os telhados de casas e empresas não foram incluídos no projeto.
Segundo ele, a própria Neoenergia não utiliza o telhado da sede da empresa para a instalação de placas solares.
“A Neoenergia tem uma área enorme e não usa para a matriz energética, principalmente solar. Enquanto isso, vai utilizar terrenos da ilha para os equipamentos, áreas que poderiam ser usadas para outras finalidades”, afirmou.
Nino Lehnemann sugeriu alternativas para o projeto. “Poderiam ser usados os telhados de prédios públicos, pousadas, grandes construções e residências. Isso seria economicamente melhor para os moradores da ilha. O projeto atual pode ser bom para vender energia, mas não traz benefícios diretos para a população. A energia será limpa, mas não vai gerar economia para o morador”, disse.
Reunião tumultuada
A Neoenergia realizou uma reunião na quinta-feira (7) para apresentar as contrapartidas socioambientais previstas no Projeto Noronha Verde. As propostas não foram bem recebidas.
Durante a apresentação dos mapas com os locais previstos para a instalação das placas solares, as manifestações contrárias aumentaram.
O coordenador do Projeto Golfinho Rotador, José Martins Júnior, também defendeu a instalação de placas solares nos telhados das casas.
“Isso poderia ajudar a reduzir a conta de energia da comunidade. Seria um grande avanço, não apenas ambiental, mas também socioeconômico”, afirmou.
Moradora do bairro da Coreia, Ana Paula Silva criticou a retirada de árvores para a implantação do projeto.
“Não vemos um processo de reflorestamento na ilha. Fico revoltada quando vejo essa área sendo usada para instalar placas. Será necessário abrir caminhos, e isso vai causar desmatamento. Se eu remover uma árvore, a polícia bate na minha porta”, afirmou.
Representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foram questionados por terem dado anuência à etapa inicial do projeto.
Segundo a chefe do ICMBio, Lilian Hangae, houve negociações para evitar o uso de áreas contínuas e do Parque Nacional Marinho.
“Para o uso da área dos agricultores do Noronha Terra, será necessária uma contrapartida, como a recuperação do açude, instalação de cercas, entre outros pontos. O acordo ainda não foi firmado. Enquanto isso não acontecer, não temos como apoiar”, declarou.
O g1 entrou em contato com a Neoenergia , com a CPRH e com a Administração de Fernando de Noronha para questionar a falta de utilização dos telhados dos imóveis existentes, a cessão de terras e critérios para aprovação do projeto. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.
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