Polícias dos estados ignoram ou negam 71% dos pedidos de informação sobre armas de fogo, indica estudo

  • 05/02/2026
(Foto: Reprodução)
Polícias ignoram ou negam 71% dos pedidos de informação sobre armas, indica estudo As polícias dos estados ignoram ou não respondem três em cada quatro pedidos de informação sobre controle de armas de fogo, aponta estudo divulgado nesta quinta-feira (5) pelos institutos Igarapé e Sou da Paz. Segundo o levantamento, a falta de transparência dificulta a análise das políticas públicas locais, especialmente em temas como o controle e entrada de armas, investigação e rastreamento da origem de armamento apreendido e a gestão do próprio arsenal das polícias. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os pesquisadores analisaram uma série de questionamentos feitos via Lei de Acesso à Informação (LAI) para as polícias Civil, Científica e Militar dos 26 estados e do Distrito Federal entre 2021 e 2023. Os resultados mostram que 71% dos pedidos foram ignorados ou tiveram respostas negadas, enquanto 21% foram respondidos de forma completa e 8%, parcialmente. Armas calibres 38 e 9mm em estande de tiro em São Paulo Luiz Gabriel Franco/g1 O mapeamento teve como base cinco perguntas enviadas para as polícias militares e científicas, mais 13 para as civis que tratam de diferentes etapas do processo de controle de armas e munições. Elas se dividem em três categorias: controle de entrada e saída de armas apreendidas, furtadas ou roubadas, doadas, destruídas, entre outros; investigações realizadas e rastreamentos de origem das armas; controle de armas institucionais e armas apreendidas que estão sob cuidados das polícias e orçamentos para este controle; Leia também: 'Banco de DNA' das balas auxilia polícia em 9 mil investigações; veja como funciona Metade das armas usadas por CACs são de uso restrito no Brasil, indica PF Como a pistola 9mm superou o revólver 38 e a 380 como arma mais popular do Brasil Os estados foram classificados em seis categorias diferentes, conforme o nível de atendimento ou não dos pedidos de LAIs. O resultado foi o seguinte: Opaco (0 ponto): Acre, Amapá e Piauí. Muito baixo (1 a 19 pontos): Amazonas, Pará, São Paulo, Bahia, Alagoas, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro; Baixo: (20 a 39 pontos): Ceará, Rondônia, Santa Catarina, Maranhão, Roraima, Distrito Federal, Minas Gerais e Espírito Santo; Médio (46 a 59 pontos): Tocantins, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Sergipe e Goiás; Bom (60 a 79 pontos): nenhum estado; Alto (80 a 100 pontos): nenhum estado; Veja a situação de cada estado: CA As polícias estaduais são responsáveis por apreender e armazenar os armamentos em situação irregular, seja os registrados por Caçadores, Atiradores esportivos e Colecionadores (CACs) ou os ilegais pegos com criminosos. A Polícia Federal assumiu a fiscalização de armas de CACs em julho de 2025. Segundo a PF, os CACs possuem mais de 1,5 milhão de armas registradas e há outros 978 registros individuais ativos no país atualmente. Das armas, 755 mil são enquadradas como de uso controlado, o que representa pouco mais de 50% do total. Ausência de informação impede combate ao tráfico, diz pesquisadora Pesquisadora do Sou da Paz, Malu Pinheiro disse ao g1 ter se surpreendido com o resultado de apenas uma resposta para cada quatro pedidos de informações. "O alto percentual de negativas obtidas neste estudo impossibilita a construção de um diagnóstico preciso sobre o atual estado do controle estadual de armas de fogo e munições no Brasil", afirmou. A especialista alerta que a ausência de informações impede que seja feito o controle dos arsenais das polícias e os desvios dessas armas, que são "obtidas por meios legais" e que vão "para o mercado ilegal". Outro estudo do Sou da Paz, divulgado em 2025, mostrou que o arsenal do crime organizado se modernizou com pistolas e fuzis. O estudo analisou justamente armas apreendidas com criminosos e parte delas foram desviadas das forças de segurança. "Para além da ausência de transparência em si, a ausência de dados impossibilita a construção de estratégias sólidas para o combate ao tráfico de armas no país", pontua a especialista.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/02/05/transparencia-controle-armas-estudo.ghtml


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