'Orgulho de ter compartilhado minha história': Gisèle Pelicot preferiu que seu caso não fosse tratado como segredo

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
“Estou de pé, sempre de pé.” Gisèle Pelicot conta como refez sua vida depois da violência sexual Abusada durante 10 anos pelo marido e mais de 70 homens, a francesa Gisèle Pelicot decidiu abrir mão do anonimato e tornar pública a violência que sofreu para que o caso não fosse tratado em silêncio. Ao falar pela primeira vez em detalhes, ela afirmou ter “orgulho de ter compartilhado” a própria história, na tentativa de transformar a experiência em um alerta e incentivar outras vítimas a não se calarem. Ao optar por tornar o processo público, Gisèle disse que quis evitar que os crimes corressem em segredo judicial. Ela relatou ter ficado impressionada com a quantidade de mulheres que passaram a acompanhá-la nas audiências e a enviar mensagens de apoio. A decisão também teve como objetivo, segundo ela, mudar o sentimento de culpa frequentemente imposto às vítimas. “A culpa deve ficar apenas com os responsáveis, jamais com as vítimas e sobreviventes”, declarou. O caso veio à tona após a prisão do então marido, Dominique Pelicot, condenado em dezembro de 2024 a 20 anos de prisão — a pena máxima prevista na França para estupro. Segundo as investigações, ao longo de uma década, ele dopou a esposa com sedativos, convidou homens para a casa do casal e registrou os abusos em vídeo. A francesa Gisèle Pelicot foi abusada pelo marido por 10 anos Reprodução/TV Globo A revelação começou em 2020, quando Gisèle foi chamada a uma delegacia e informada de que aparecia nas imagens apreendidas pela polícia. "O interrogatório me pareceu estranho. Perguntaram meu nome, há quanto tempo era casada, como eu definiria o senhor Pelicot. 'Um homem atencioso', eu disse, 'faz 50 anos que vivo com esse senhor'. Não entendo como ele chegou a esse ponto", comenta Gisèle. Até então, ela acreditava sofrer apenas de lapsos de memória e problemas de saúde, sem imaginar que era vítima de violência sistemática. Gisèle contou que, durante anos, apresentou sintomas como apagões de memória, confusão mental e alterações na fala. "Comecei a ter apagões de memória. Não lembrava o que tinha feito na véspera, o que havia comido, se tinha escovado os dentes", relembra. Ela buscou médicos de diferentes especialidades, sempre acompanhada do marido. Os exames não indicavam anormalidades, o que dificultou a descoberta dos crimes. O marido de Gisèle foi condenado a 20 anos de prisão Reprodução/TV Globo "Eu ligava pros meus filhos e eles diziam que eu estava com a voz como se tivesse bebido. Um dia peguei o carro e sofri um pequeno acidente. Comecei realmente a me inquietar", conta. Durante dois anos e meio de investigação, autoridades identificaram dezenas de homens envolvidos. Parte deles foi julgada e condenada em Avignon, no sul do país. Outros suspeitos ainda são alvo de apuração. Os acusados eram, segundo a polícia, homens comuns, moradores de Mazan e de cidades vizinhas, com idades entre 22 e 70 anos. A dimensão do caso provocou comoção nacional e debates sobre violência sexual, consentimento e responsabilização. Como história veio à tona O caso só começou a ser desvendado quando Dominique foi detido por filmar mulheres sem consentimento em um supermercado. A partir da análise de equipamentos eletrônicos, investigadores encontraram os registros das agressões. Apesar da exposição pública e do trauma, Gisèle afirma que tenta reconstruir a vida e manter a estabilidade da família. Ela diz que tornar a história conhecida foi uma forma de ressignificar o que viveu e contribuir para que a sociedade discuta o tema. “A sociedade precisa evoluir”, afirmou. “Os homens precisam assumir a responsabilidade e mudar o comportamento", finaliza. Ouça os podcasts do Fantástico O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/02/24/orgulho-de-ter-compartilhado-minha-historia-gisele-pelicot-preferiu-que-seu-caso-nao-fosse-tratado-como-segredo.ghtml


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