MP diz que vai recorrer de decisão que absolveu mulher acusada de cortar órgão genital e matar companheiro
26/03/2026
(Foto: Reprodução) Mulher que matou companheiro é absolvida
O Ministério Público de Minas Gerais informou que vai recorrer da decisão que absolveu uma mãe acusada de matar o companheiro depois de flagrá-lo assediando a filha dela.
Na terça-feira (24), o conselho de sentença do Tribunal do Júri de Belo Horizonte considerou a mulher inocente, e a juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti julgou a denúncia improcedente.
Segundo a Promotoria, o crime ocorreu na madrugada de 11 de março de 2025, no bairro Taquaril, na Região Leste da capital mineira. A vítima, de 47 anos, mantinha um relacionamento amoroso com a ré e, antes de morrer, teve o órgão genital cortado e o corpo queimado, conforme as investigações (leia mais abaixo).
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Para o MP, a decisão dos jurados foi incompatível com as provas que fazem parte do processo. O pedido do órgão será analisado pelo TJ e, se os argumentos da acusação forem aceitos pelos desembargadores, a mulher passará por um novo júri popular.
"O Ministério Público de Minas Gerais, por meio da 7ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, informa que vai recorrer da decisão e solicitar a anulação do júri, por entender que a absolvição da ré é incompatível com as provas constantes nos autos", informou o órgão, em nota.
O crime
De acordo com a promotoria, a mulher teria colocado um medicamento na bebida do homem após vê-lo assediando sua filha, de 11 anos, dentro de casa. Em seguida, ela esperou que o companheiro dormisse para atacá‑lo com uma faca e um pedaço de madeira.
O Ministério Público apontou que a ré "cortou o órgão genital da vítima, enquanto ela ainda se encontrava viva, e, por fim, ateou fogo no corpo".
Ainda conforme a denúncia, a mulher chamou um adolescente para ajudá-la a arrastar o companheiro até uma área de mata, onde houve a mutilação, e, à época, confessou o homicídio.
No entanto, em entrevista à TV Globo, a ré afirmou que ficou confusa após o crime e, por isso, disse ter afirmado erroneamente que dopou o homem.
"Foi impulso, não foi nada pensado. É inexplicável a situação que eu vi, não tinha como eu parar para poder tramar uma situação dessa. Eu 'tava' muito confusa, eu não tinha dormido", declarou.
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Denúncia improcedente
O Ministério Público apresentou uma denúncia de homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além dos crimes de destruição de cadáver e corrupção de menor.
Durante o julgamento, porém, os jurados afastaram todas as acusações contra a ré. Após a decisão do conselho de sentença, a juíza considerou que não havia fundamento para manter a denúncia e absolveu a mulher, que estava presa.
Mulher acusada de matar companheiro após assédio contra filha é absolvida pelo Tribunal de Júri de Belo Horizonte
Joubert Oliveira/TJMG