Médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil, morre aos 95 anos

  • 28/04/2026
(Foto: Reprodução)
Morre, aos 95 anos, o médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil Morreu nesta terça-feira (28), aos 95 anos, em São Paulo, o médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil. Silvano Raia ajudou a mudar os limites da medicina. Paulistano, nascido em 1930, se formou na USP em 1956. Fez pós-doutorado na Inglaterra e, lá, participou dos primeiros transplantes de fígado do mundo. Em 1985, liderou a equipe que fez o primeiro transplante desse tipo na América Latina. Três anos depois, fez o primeiro transplante de fígado com doador vivo no mundo. A motivação veio da urgência. Muitas crianças gravemente doentes morriam na fila de espera por um órgão compatível. “Não se pode botar órgão adulto em uma criança. E nos ocorreu retirar um seguimento de uma doadora sadia, geralmente a mãe, que doava um pedaço do fígado, o seguimento esquerdo, para a criança. Depois de duas ou três semanas acontecia um milagre. Na mãe, o fígado remanescente readquiria o tamanho do volume anterior. E na criança, o seguimento transplantado crescia exatamente até o ponto necessário para o peso dela”, Silvano Raia ao programa Roberto D’Avila em 10 de maio de 2022. A nova técnica também passou a ser usada em adultos. Ajudou a reduzir o impacto da escassez de órgãos para transplante, diminuiu o tempo de espera e aumentou as chances de sobrevivência de milhares de pacientes. “Na nossa área nada pode ser considerado impossível, nada”, afirmou Silvano Raia a Roberto D’Avila. Médico Silvano Raia, um dos pioneiros dos transplantes no Brasil, morre aos 95 anos Jornal Nacional/ Reprodução Foi com essa convicção que ele dedicou os últimos anos ao que considerava ser o maior desafio da medicina moderna: aumentar a disponibilidade de órgãos para acabar com a fila dos transplantes. Silvano Raia coordenou a equipe que criou o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP. Um projeto que busca utilizar órgãos de suínos modificados geneticamente como alternativa para transplantes em seres humanos. Em 2022, o laboratório da USP dominou a técnica de modificar as células. E, em março, nasceu o primeiro porquinho clonado no Brasil. Os primeiros passos já foram dados e o doutor Silvano acreditava que muito mais está por vir: "Eu gostaria de terminar esta fase do xenotransplante. É deslumbrante. Se isso for resolvido, acaba a lista de espera", disse em 5 de fevereiro de 2025. Ao longo da carreira, Silvano Raia foi professor e diretor da Faculdade de Medicina da USP, onde formou gerações de médicos. Ele morreu em decorrência de problemas pulmonares. Tinha duas filhas e quatro netos. LEIA TAMBÉM Morre Silvano Raia, médico que fez 1º transplante de fígado da América Latina, aos 95 anos

FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/04/28/medico-silvano-raia-um-dos-pioneiros-dos-transplantes-no-brasil-morre-aos-95-anos.ghtml


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