María Corina Machado reúne multidão em Madri e fala em ‘retorno para casa’ da diáspora venezuelana
18/04/2026
(Foto: Reprodução) María Corina Machado reúne multidão em Madri e fala em ‘retorno para casa’
A líder opositora venezuelana María Corina Machado reuniu milhares de apoiadores neste sábado (18) na Puerta del Sol, em Madri, e afirmou que os venezuelanos que vivem fora do país devem se preparar para “o dia do reencontro e da reconstrução” da Venezuela.
A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de uma manifestação com apoiadores da Venezuela em Madri.
REUTERS/Isabel Infantes
Em discurso à diáspora, Machado adotou um tom de mobilização e retorno.
“Aqui estamos iniciando o retorno para casa”, disse à multidão, que entoava pedidos por eleições.
A manifestação foi o ponto alto da visita da opositora à Espanha e marcou um encontro com venezuelanos que vivem no exterior após anos sem que ela deixasse o país.
A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, discursa durante uma manifestação com apoiadores venezuelanos, em sua visita à Espanha
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Discurso mira reconstrução após décadas de chavismo
No discurso, a líder oposicionista afirmou que os anos sob o chavismo representaram uma preparação para um novo momento político.
Segundo ela, os venezuelanos que emigraram aproveitaram o período fora para trabalhar, se estabelecer e se organizar para um eventual retorno.
Machado mencionou os “27 anos” de chavismo —período que engloba os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro— e disse que esse ciclo preparou o país para uma fase de reconstrução.
“Tudo o que fizemos durante estes longos 27 anos foi nos preparar para um momento de reencontro e de construção de uma nação que será livre para sempre”, afirmou.
Apoiadores participam de um comício com a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, durante sua visita à Espanha, em Madri
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Espanha concentra uma das maiores comunidades venezuelanas
A escolha de Madri para o ato também tem peso simbólico. A Espanha é um dos principais destinos da diáspora venezuelana, com cerca de 700 mil cidadãos do país vivendo no território espanhol.
Entre os presentes, o clima era de expectativa de retorno. A venezuelana Dayanna Padrino, de 37 anos, que vive há dois anos na Espanha, afirmou que o processo de volta ao país “já é irreversível”.
Segundo ela, há esperança de reconstruir a Venezuela e recuperar condições de vida anteriores à crise. “Acho que nos resta muito pouco lá fora”, disse.
A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de um comício com apoiadores venezuelanos durante sua visita à Espanha
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Machado diz não se arrepender de gesto com Trump
Durante a viagem, Machado também participou de uma coletiva de imprensa, na qual defendeu sua decisão de presentear seu Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ela afirmou não se arrepender do gesto e disse que o republicano foi o único líder mundial que, segundo ela, colocou em risco cidadãos de seu próprio país em nome da liberdade da Venezuela.
Machado também reforçou que mantém diálogo com Washington e classificou os Estados Unidos como peça “fundamental” para avançar em uma transição democrática no país.
A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de um comício com apoiadores venezuelanos durante sua visita à Espanha
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Retorno à Venezuela é articulado com Washington
A opositora afirmou que discute sua volta à Venezuela em coordenação com o governo americano.
Segundo ela, o processo está sendo conduzido com “respeito mútuo e entendimento” e faz parte de um esforço mais amplo para reorganizar o cenário político venezuelano.
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, abraça crianças durante uma manifestação com apoiadores da Venezuela, em sua visita à Espanha
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Críticas a Petro e rejeição a proposta de governo conjunto
Machado também criticou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que propôs a formação de um governo de concentração na Venezuela entre a presidente interina Delcy Rodríguez e a oposição.
Para a líder venezuelana, a proposta representa uma tentativa de impedir o avanço do processo eleitoral.
Ela afirmou que há atores internacionais que, antes, defendiam participação em eleições consideradas irregulares, mas agora resistem à realização de novos pleitos.
Machado também fez críticas diretas ao atual governo interino, afirmando que Delcy Rodríguez e seu grupo representam “o caos”, “a violência” e “o terror”.
A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de uma manifestação com apoiadores da Venezuela em Madri.
REUTERS/Isabel Infantes
Tensão política marca agenda na Espanha
A visita à Espanha também foi marcada por tensões políticas. Machado recusou um encontro com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, alegando que a reunião não seria adequada diante da realização de uma cúpula de líderes progressistas em Barcelona.
Sánchez havia se colocado à disposição para recebê-la e defendeu que o futuro da Venezuela seja decidido de forma democrática e sem interferência externa.
A opositora, por outro lado, manteve agenda com aliados da direita espanhola, incluindo a líder regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, uma das principais críticas do governo espanhol.
*Com Reuters e AFP.
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