Lula orienta articuladores no Congresso a não esticar a corda com Alcolumbre, mas deve adotar postura combativa na campanha
05/05/2026
(Foto: Reprodução) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, a manter as pontes com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e a não esticar a corda nesse momento.
Lula convocou Guimarães e Randolfe para uma reunião nesta segunda-feira (4) à tarde, no Palácio do Planalto, fora da agenda, para discutir a articulação politica.
Segundo interlocutores, Lula fez um balanço da semana marcada por derrotas para o governo (leia mais abaixo).
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A derrubada do veto sobre a dosimetria já era esperada pela equipe, mas a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) não estava nos cálculos do Planalto.
De acordo com relatos de pessoas presentes na reunião, o presidente demonstrou insatisfação com o resultado — considerado histórico — e cobrou uma recalibragem na articulação política, além de diagnósticos mais precisos sobre o cenário no Congresso.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado Davi Alcolumbre
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
Sem retaliação
Apesar da pressão de integrantes do governo e do PT por uma reação mais dura, Lula indicou que não pretende retaliar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado como um dos articuladores da derrota de Messias.
A avaliação do presidente é que uma eventual retirada de cargos ou espaços políticos ligados ao senador poderia travar pautas prioritárias no Senado, como o projeto que trata da jornada de trabalho 6x1 e a proposta de emenda à Constituição (PEC) da segurança pública.
Por isso, a orientação foi manter a relação institucional. Guimarães e Randolfe foram instruídos a “tocar o barco”.
Na reunião, também ficou definido que o senador Jacques Wagner será mantido na liderança do governo no Senado, apesar de críticas internas à sua atuação.
Nos bastidores, porém, aliados do governo afirmam que o episódio deve ter desdobramentos no campo político.
A rejeição de um indicado com perfil religioso ao STF pode ser explorada durante a campanha eleitoral, em gesto aos evangélicos.
Além disso, governistas citam o chamado “caso Master”, que atinge indiretamente Alcolumbre por envolver um aliado investigado que comandava a Amprev e fechou um acordo bilionário com o banco Master.