Júri condena PM a 48 anos de prisão por morte de jovem vítima de bala perdida na saída de casa noturna em Ribeirão Preto, SP
02/06/2026
(Foto: Reprodução) Julia Ferraz, de 27 anos, morreu baleada em avenida de Ribeirão Preto (SP)
Reprodução/EPTV
O tribunal do júri condenou nesta segunda-feira (1), a 48 anos de prisão em regime inicial fechado, o policial militar Maicon Oliveira dos Santos, acusado de matar Júlia Ferraz Signoretto, de 27 anos, vítima de bala perdida quando saía de uma casa noturna em Ribeirão Preto (SP) em 2023.
O policial foi condenado por dupla tentativa de homicídio e homicídio consumado qualificados.
Santos chegou a ser preso à época do crime, mas respondeu ao processo em liberdade e seguiu trabalhando na corporação em serviços administrativos. Após a condenação, no entanto, ele saiu preso do fórum e foi encaminhado para o Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
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A defesa disse que irá recorrer da decisão.
Agora no g1
O julgamento teve início na manhã de segunda-feira e terminou por volta das 23h no Fórum de Ribeirão Preto.
Ao todo, cinco testemunhas de defesa e cinco de acusação foram ouvidas além do advogado do réu e da promotoria.
Advogado da família de Júlia, Mauricio Lins Ferraz diz que o réu nunca manifestou arrependimento.
“O ato foi grave demais e não enxergamos da parte do réu nem mesmo algum sentimento de arrependimento, desculpas pelo fato de tamanha gravidade que abalou para todo sempre a família da vítima.”
A defesa do policial alega que ele agiu em legítima defesa. Segundo o advogado João Carlos Campanini, Santos atirou contra uma dupla de moto que tinha tentado assaltá-lo.
Momento em que o policial militar Maicon Oliveira dos Santos atira contra dois homens em moto em Ribeirão Preto, SP
Reprodução/Câmeras de segurança
Balas perdidas
O caso aconteceu na madrugada de 14 de agosto de 2023, na Avenida Independência, uma das mais importantes da cidade. Câmeras de segurança registraram o momento em que o policial parou de moto ao lado de dois homens, também de moto.
Eles pareceram discutir. Maicon sacou a arma e fez vários disparos quando a dupla acelerou o veículo.
No momento em que o policial atirou, um casal passava pelo canteiro central da avenida, por trás dos dois homens na moto. Foi neste momento que Júlia acabou atingida. O tiro perfurou pulmão e coração da jovem. Ela morreu na hora.
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Reprodução/EPTV
A Polícia Militar foi chamada ao local. Maicon alegou que agiu em legítima defesa ao reagir a uma tentativa de assalto praticada pela dupla, que queria roubar a moto dele.
Os homens apontados como ladrões negaram qualquer crime. Na época, eles foram identificados porque foram baleados nos pés e deram entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte.
Segundo a Polícia Civil, dez cápsulas deflagradas foram apreendidas no local do crime e a arma do policial, recolhida. Ele chegou a ser preso e encaminhado ao Presídio Romão Gomes, mas foi liberado na audiência de custódia.
Em julho de 2024, a Justiça decidiu, em sentença de pronúncia, que Santos deveria ir a júri popular. Para o Ministério Público, o policial não conseguiu provar que agiu em legítima defesa.
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