Jovens são condenados por matar indígena com socos e golpe na cabeça enquanto dormia; penas somam mais de 35 anos de prisão
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Acusados por morte de indígena são condenados a mais de 20 anos de prisão
Dois jovens foram condenados pela morte do indígena Davi Dias Apinaje. O crime aconteceu em setembro de 2023, em Tocantinópolis. A vítima dormia na frente de uma loja quando foi atacada com socos e golpeada com um bloco de concreto na cabeça. Os réus foram condenados por homicídio triplamente qualificado e devem cumprir a pena em regime fechado. Eles ainda podem recorrer da decisão.
Os condenados são Thalisson da Silva Cardoso, de 20 anos, e Iago Silveira Pinheiro, de 25 anos. A defesa de Thalisson informou à TV Anhanguera que analisa a sentença e avalia se vai recorrer para tentar reduzir a pena. Já os advogados de Iago Silveira Pinheiro confirmaram que vão entrar com recurso por considerarem a decisão do conselho de sentença injusta.
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Jovens são condenados por assassinato de indígena em Tocantinópolis
Reprodução/TV Anhanguera
O julgamento foi presidido pelo juiz Helder Carvalho Lisboa, da 1ª Vara Criminal de Tocantinópolis. Durante a audiência, os jurados reconheceram que o crime foi cometido por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Iago Silveira Pinheiro foi condenado a 19 anos e três meses de prisão, e Thalisson da Silva Cardoso, a 16 anos e seis meses de prisão. Na sentença, o juiz ainda determinou o pagamento de R$ 50 mil para indenizar por danos morais aos filhos de Davi.
Segundo o Tribunal de Justiça, os dois condenados estão presos desde o dia 20 de setembro de 2023, e o tempo da prisão provisória será descontado do total da pena.
Relembre o caso
Local onde indígena foi morto em Tocantinópolis
Roberlan Cokim/Toc Notícias/Divulgação
O crime aconteceu na madrugada do dia 16 de setembro de 2023, na esquina da Rua da Estrela com a Avenida Nossa Senhora de Fátima. Davi Dias Apinaje estava deitado na calçada quando foi surpreendido pelos réus. O indígena foi agredido com socos, pontapés e depois golpeado com um bloco de concreto de 12 quilos na cabeça.
Conforme o Tribunal de Justiça, com base em depoimentos e imagens de segurança, Thalisson e Iago agrediram a vítima sem motivo após terem consumido bebida alcoólica.
Na época, testemunhas contaram que a vítima não convivia mais na aldeia e passava a maior parte do tempo pelas ruas da cidade ingerindo bebida alcoólica. Um vigilante que trabalhava prestando serviço de moto contou que, por volta das 3h20, havia visto o indígena dormindo na frente de uma loja. No mesmo local ele avistou dois homens não indígenas.
Ainda segundo o relato, alguns minutos depois, o vigilante retornou e já percebeu que o indígena estava ferido e, ao lado do corpo, havia uma pedra grande e suja de sangue. A perícia esteve no local e a polícia fez buscas, mas não conseguiu localizar nenhum suspeito.
Íntegra da nota da defesa de Thalisson da Silva
A Defesa de Thalissson da Silva Cardoso, já interpôs recurso de apelação para revisar a pena aplicada. Em relação a condenação, essa já era aguardada, pois Thalisson confessou o crime desde o momento que procurou a autoridade policial para se apresentar espontaneamente, está ciente de seu erro, arrependido e disposto a pagar, o que buscamos é apenas a adequação da pena.
Íntegra da nota da defesa de Iago Silveira
Iremos recorrer da decisão do conselho de sentença por entender que a decisão foi manifestamente contrária à prova dos autos, tendo em vista que os jurados ignorarem completamente as provas e não acolheram o pedido da defesa para os afastamentos das qualificadoras, o que, na visão da defesa, são excessivas e têm, apenas o condão de elevar a pena.
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