Jordano Gasperazzo é novo delegado-geral da Polícia Civil no ES após saída de Darcy Arruda
06/04/2026
(Foto: Reprodução) Chefe da Polícia Civil do ES pede demissão para cuidar da saúde
O governador Ricardo Ferraço anunciou na tarde desta segunda-feira (6) o nome de Jordano Bruno Gasperazzo Leite como novo delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo. A definição ocorreu após reunião no Palácio Anchieta, em Vitória.
Jordano assume o comando da corporação no lugar do delegado José Darcy Arruda, que esteve à frente da instituição nos últimos anos. Ele pediu exoneração na última semana, dias após ser denunciado à Polícia Federal por coação à testemunha. Darcy alegou problemas de saúde.
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Segundo o governo do estado, a escolha reforça a proposta de modernização e aumento da eficiência na segurança pública. Atualmente, o novo delegado-geral ocupava o cargo de subsecretário de Estado de Inteligência, área em que ganhou destaque pela atuação estratégica e pelo uso de tecnologia nas investigações.
Carreira
Natural de Vitória, Jordano é formado em Direito pelo Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc) e possui especializações em Direito Público, Direito e Políticas e Gestão em Segurança Pública.
Ao longo da carreira na Polícia Civil, acumulou experiência tanto operacional quanto administrativa. Foi titular das delegacias de Fundão, João Neiva e Praia Grande, além de comandar unidades especializadas, como as delegacias de Segurança Patrimonial, de Crimes Contra o Transporte de Pessoas e Cargas e de Roubo a Bancos.
Jordano Gasperazzo é anunciado como novo delegado-geral da Polícia Civil no Espírito Santo pelo governador Ricardo Ferraço
Divulgação
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Também ocupou cargos de destaque em setores estratégicos da corporação, como o Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), o Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) e a Divisão Patrimonial. Na área de inteligência, atuou como gerente de Operações Técnicas da Subsecretaria de Estado de Inteligência.
Um dos principais focos da atuação de Jordano Gasperazzo tem sido a integração tecnológica na segurança pública. Ele participou da implementação de projetos como a Delegacia Online, o Portal Sisp, o sistema de Business Intelligence da Secretaria de Segurança Pública e o Cerco Inteligente.
O delegado também esteve envolvido na implantação de ferramentas como o Inquérito Digital, o Teleflagrante e o programa Recupera, além da integração entre a polícia e o Poder Judiciário por meio do sistema Conetjud (PJe).
A expectativa do governo é de que a experiência do novo delegado-geral contribua para o fortalecimento das ações de combate ao crime no Espírito Santo.
Saída de Arruda
O delegado chefe da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda, pediu exoneração do cargo na manhã da última sexta-feira (3).
Segundo o texto do chefe do Executivo estadual, o afastamento foi por "razões de saúde e pela iminente publicação de sua aposentadoria". Ainda no post, Ferraço registrou reconhecimento e agradecimento pelo trabalho ao longo dos últimos anos.
"Sua atuação contribuiu para fortalecer a Polícia Civil e para resultados que o Espírito Santo vem alcançando na redução da criminalidade".
O pedido de exoneração veio logo após o delegado José Darcy Arruda ter sido denunciado à Polícia Federal por suspeita de coação à testemunha. A notícia-crime foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres.
O documento cita outros crimes, como denunciação caluniosa, abuso de autoridade, prevaricação e obstrução de investigação de organização criminosa.
Alberto Roque Peres já prestou depoimento em uma investigação federal. O material também foi enviado ao Ministério Público do Espírito Santo. O chefe da PC nega as acusações (leia mais abaixo).
Entenda a denúncia contra Arruda
Delegado José Darcy Arruda, chefe da Polícia Civil do Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, Alberto confirmou informações passadas por um criminoso que apontou um policial civil como "o maior traficante do Espírito Santo".
Mas, antes de a reportagem ser exibida, Arruda informou nas redes sociais que o delegado seria investigado pela Corregedoria da Polícia Civil. O chefe da PC também afirmou que a corporação desconhecia as informações repassadas à Polícia Federal.
Na sexta-feira (27), uma investigação interna foi formalizada. O comunicado foi assinado por Arruda e enviado ao corregedor-geral Roberto Fanti de Resende. O documento solicita a apuração das medidas adotadas por Alberto.
Alberto, por sua vez, afirmou que a notícia-crime enviada à PF classifica a medida adotada por Arruda como retaliação. O documento diz que a ação seria uma reação à colaboração do delegado com a investigação federal e que poderia comprometer a segurança de testemunhas.
O texto também aponta quebra de sigilo. O depoimento de Alberto para o Fantástico ocorreu sob confidencialidade, mas o nome dele acabou sendo citado por Arruda em entrevista à TV Gazeta. Assista a entrevista abaixo:
A investigação tem relação com a Operação Turquia, conduzida pelo Gaeco, do MPES, em conjunto com a Polícia Federal, por meio da Ficco-ES. A operação apura a atuação de policiais do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc) e de traficantes ligados a facção criminosa. Eles são suspeitos de desvio e comercialização de armas e drogas apreendidas.
Entre os investigados está o policial Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, conhecido como Dudu. Segundo o documento, indícios de irregularidades envolvendo o agente foram comunicados à Corregedoria desde 2017.
Delegado-geral da Polícia Civil comenta investigações sobre desvios de drogas
O outro lado
Em nota, Arruda afirmou que não tentou coagir o delegado. Disse que a intenção foi convidá-lo a apresentar documentos citados no depoimento à Polícia Federal. Arruda também informou que pediu à Corregedoria levantamento de investigações envolvendo Eduardo Tadeu e solicitou o desarquivamento de documentos antigos.
Arruda declarou ainda que não conhecia o policial pessoalmente.
O delegado Alberto e o advogado Fábio Marçal não comentaram o caso. A defesa de Eduardo Tadeu também não se manifestou.
Eduardo Tadeu, investigador da Polícia Civil apontado como o maior traficando do Espírito Santo. Ele desviava e vendia drogas apreendidas em operações policiais
Reprodução/TV Gazeta
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