Italiano e cirurgião: saiba quem era o dono do CRM usado por falso médico preso no litoral de SP
22/02/2026
(Foto: Reprodução) Médico Enrico Di Vaio morreu aos 54 anos
Redes sociais
Enrico Di Vaio, o verdadeiro dono do CRM usado pelo empresário Wellington Mazini para se passar por médico em Cananéia, no litoral de São Paulo, morreu aos 54 anos. Conforme apurado pelo g1, ele nasceu na Itália, mas era naturalizado brasileiro e atuava como médico há mais de 20 anos na Baixada Santista. Ele deixou a esposa e uma filha.
Mazini usou o CRM de Enrico, seu sócio em uma clínica em São Paulo, para realizar exames no hospital em Cananéia. Ele foi preso e denunciado pelo Ministério Público (MP) por utilizar o registro do profissional para se passar por médico. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) apura o caso.
✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp.
O verdadeiro médico morreu na quinta-feira (19) e foi sepultado na sexta (20) no Memorial Necrópole Ecumênica de Santos. Conforme apurado pelo g1, ele estava com problemas de saúde há alguns meses e chegou a ser internado, mas a causa da morte não foi divulgada.
Colega de profissão e amigo pessoal de Enrico, o cirurgião-geral Helio da Costa Marques garantiu ao g1 que o médico foi vítima de Wellington Mazini e não tinha envolvimento com o esquema de fraudes do empresário. “Não existe qualquer possibilidade", afirmou.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Formação e carreira
De acordo com Marques, Enrico era formado pelo Centro Universitário Fundação Lusíada, em Santos, e fez cursos no exterior. “Era um cirurgião-geral de mão cheia”, disse o colega, informando ainda que Enrico também trabalhou muito tempo com endoscopia. “Não só endoscopia investigativa, como também terapêutica”, explicou.
Segundo ele, Enrico conhecia muito da anatomia e, inclusive, chegou a ser professor universitário em uma universidade de Santos. Na cidade, ele também atuou no antigo Hospital dos Estivadores.
Apesar disso, grande parte da carreira de Enrico foi construída em São Vicente, onde atuou no Hospital São José, no antigo Crei e em uma clínica particular, onde ainda prestava serviços.
Para Marques, um destaque do trabalho do amigo foi a dedicação dele ao atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS) há alguns anos, quando, junto com outros cirurgiões, atendeu centenas de pessoas que precisavam de cirurgias eletivas em São Vicente. “Ele realmente foi um grande médico e que a gente tem que render homenagens”, afirmou.
Médico Enrico Di Vaio morreu em Santos
Redes sociais
Lado pessoal
Marques contou que se aproximou de Enrico durante o trabalho há 20 anos, mas construiu um vínculo que ultrapassou a profissão. “Nós éramos extremamente amigos, tivemos uma amizade muito longa”, explicou.
Segundo ele, o médico estava sempre alegre e fazia amizades com facilidade. Além disso, era muito ligado à família e chegou a pausar a carreira para cuidar do pai quando ele adoeceu. “Ele deixou de lado o trabalho para ficar ao lado do pai durante todo o período de internação”, afirmou.
Investigação
Enrico Di Vaio (à esq.) era sócio e dono do CRM usado por Wellington Mazini (à dir.)
Redes Sociais
O empresário Wellington Mazini afirmou à polícia que agiu a mando do médico e receberia R$ 1,5 mil pelo serviço. Apesar disso, o g1 apurou que Enrico terá a punibilidade extinta no inquérito policial — ou seja, o estado perde o direito de puni-lo por um crime.
A Delegacia de Cananéia havia solicitado à Delegacia de Santos que ouvisse o verdadeiro médico. Esse processo leva um tempo para retornar à autoridade responsável pela investigação, por isso ainda há possibilidade de Enrico ter prestado depoimento antes de morrer.
O g1 pediu confirmação à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) sobre o andamento do depoimento, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Falso médico
O empresário usou o CRM de Enrico para realizar exames no hospital em Cananéia. A fraude foi descoberta após o falso médico dizer ter visto a vesícula de uma paciente, que não tem o órgão.
Mazini foi preso em 7 de janeiro e teve um pedido de soltura negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que considerou que a sua liberdade representava um risco à sociedade.
G1 em 1 minuto - Santos: Falso médico é descoberto após citar órgão que paciente não tinha
O Ministério Público denunciou Mazini por estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e perigo para a vida, com penas que podem chegar a 13 anos.
A defesa, representada por Celino Netto, afirmou que a acusação é “inflada” e juridicamente controversa, ressaltando que o processo ainda está em fase inicial e que os fatos serão analisados pelo Judiciário no decorrer da ação penal.
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos