Irmãos acusados de matar filha de Gilberto Cattani são condenados a mais de 30 anos de prisão em MT
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Raquel Cattani foi encontrada morta dentro da casa onde morava, em Nova Mutum (MT)
Reprodução
O Tribunal do Júri condenou, nesta sexta-feira (23), os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde pelo assassinato de Raquel Maziero Cattani, de 26 anos, filha do deputado estadual Gilberto Cattani, em julho de 2024. A sentença foi proferida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, após cerca de 16 horas de julgamento.
Romero, que era ex-marido da vítima e chegou a chorar ao lado do caixão, foi condenado a 30 anos de prisão. Já o irmão dele, Rodrigo, recebeu pena de 33 anos pela execução do homicídio.
Os jurados reconheceram a prática do crime de homicídio e consideraram as seguintes qualificadoras: feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
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Pais, familiares e amigos de Raquel estiveram presentes no Fórum, onde prestaram depoimentos e acompanharam a leitura da sentença.
O delegado responsável pela investigação, Guilherme Pompeo Pimenta Negri, relatou em depoimento que Romero construiu, cuidadosamente, um álibi, o que inicialmente afastou a hipótese de que ele participou do crime. O ex-marido de Raquel, inclusive, acompanhou as primeiras diligências da polícia, deu apoio à família da vítima e se demonstrava abalado durante o velório.
Ex-marido de Raquel Cattani chorou durante velório | Luísa Câmara/TVCA
Guilherme Pompeo descreveu o comportamento dele como calculista e frio, com respostas pensadas e demoradas durante os depoimentos. Ainda conforme o delegado, 155 pessoas foram ouvidas ao longo da investigação para o esclarecimento do caso.
Em depoimento, Sandra Cattani, mãe da vítima, relatou o último dia em que viu a filha viva. Segundo ela, o encontro aconteceu durante um almoço em família, do qual também participou o ex-genro, um dia antes do crime. Sandra afirmou que ficou surpresa ao vê-lo chorar se despedindo dos filhos naquele dia.
“O mínimo que espero é que sejam condenados e peguem a pena máxima, mas isso não vai trazer ela de volta”, afirmou a mãe.
Durante sua fala ao júri, Romero afirmou que os fatos narrados na denúncia não são verdadeiros e negou a versão apresentada pelo Ministério Público, e que a separação do casal teria se dado por iniciativa dele.
Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde no júri da morte de Raquel Cattani
TJMT
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Relembre o caso
Raquel Cattani foi encontrada morta em um dos quartos da casa onde morava, em julho de 2024. Segundo a polícia, ela apresentava diversas lesões de defesa, principalmente nos braços e antebraços, com perfurações provocadas por faca.
De acordo com a investigação, Romero teria levado o irmão no próprio carro e o deixado escondido nas proximidades da propriedade de Raquel. Ao longo do dia, ele teria almoçado com o ex-sogro e, em seguida, levado os filhos do casal para Tapurah, com o objetivo de criar um álibi e se afastar do crime que, segundo a polícia, já estava planejado.
Ainda conforme a investigação, na tarde do dia 18 de julho, Romero convidou pessoas com quem não tinha muita convivência para beber e assar carne. À noite, ele chegou a ir a três boates em Tapurah.
No local do crime, a perícia constatou sinais de violência e encontrou uma televisão quebrada. A motocicleta e o celular da vítima também foram levados da residência, localizada em um sítio no Assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum.
Raquel e Romero mantiveram um relacionamento por cerca de 10 anos, e, segundo a denúncia, ele não aceitava o fim do relacionamento. A acusação aponta que Romero teria planejado o crime e oferecido R$ 4 mil ao irmão, Rodrigo, para matar Raquel. Conforme a investigação, os dois teriam combinado previamente a forma como a execução seria realizada.
Nas redes sociais, Raquel compartilhava como era a rotina no interior