Igreja Anglicana quebra tradição e empossa primeira mulher como líder espiritual

  • 26/03/2026
(Foto: Reprodução)
Dame Sarah Mullally sorri durante a Cerimônia de Entronização que a empossa como a 106ª Arcebispa, na Catedral de Cantuária, em Kent, Grã-Bretanha, 25 de março de 2026. Jordan Pettitt/Pool via Reuters Sarah Mullally foi oficialmente instalada como a primeira mulher arcebispa de Canterbury da Igreja da Inglaterra nesta quarta-feira (25), assumindo o comando como líder espiritual de 85 milhões de anglicanos em todo o mundo. A ex-enfermeira tomou seu assento na cadeira de Santo Agostinho, do século 13, na Catedral de Canterbury, diante de 2 mil convidados, incluindo o herdeiro do trono, o príncipe William e sua esposa Kate, o primeiro-ministro Keir Starmer e líderes religiosos. Ao proferir seu primeiro sermão como arcebispa, Mullally -- usando uma mitra dourada e liderada por um coral africano de mulheres cantando e dançando durante parte do serviço -- orou para que "a paz prevaleça" em partes do mundo devastadas pela guerra, desde o Oriente Médio e a Ucrânia até o Sudão e Mianmar. "Ao iniciar meu ministério hoje como arcebispa de Canterbury, digo novamente a Deus: 'Eis-me aqui'", disse ela à congregação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mullally, 63 anos, reconheceu o sofrimento causado pelas falhas de proteção da Igreja no passado, uma das quais levou seu antecessor Justin Welby a renunciar, enfatizando a necessidade de "permanecer comprometida com a verdade, a compaixão, a justiça e a ação". O ex-arcebispo Justin Welby anunciou sua renúncia em novembro de 2024 após ser criticado por não comunicar à polícia alegações de abuso físico e sexual cometidos por um voluntário em um acampamento de verão ligado à igreja. Antes da cerimônia, o bispo Philip Mounstephen, que a abençoaria quando ela fosse instalada na cadeira diocesana durante o culto, disse à Reuters que a chegada de uma mulher em um "antigo cargo... mais antigo que a coroa" era uma ocasião histórica. "Isso sinaliza uma enorme mudança que ocorreu na vida da Igreja", disse Mounstephen. O príncipe William e Catherine, princesa de Gales, durante a cerimônia de entronização de Dame Sarah Mullally como a 106ª arcebispa de Canterbury, na Catedral de Canterbury. Jordan Pettitt/Pool via Reuters Apesar das críticas, arcebispa manteve coalisão Embora a nomeação de Mullally em outubro tenha atraído fortes críticas de um grupo conservador de igrejas anglicanas principalmente em países africanos e asiáticos chamado Gafcon, o bloco abandonou neste mês planos anteriores de nomear uma liderança paralela a Mullally, estabelecendo em vez disso um novo conselho. Um órgão representativo dentro da comunhão global também descartou uma proposta anterior de uma presidência rotativa, devido a preocupações sobre uma possível rivalidade com a arcebispa de Canterbury. Após a cerimônia, Arcebispa se encontrou com o público em Buttermarket. Yui Mok/Pool via Reuters As tensões entre cristãos progressistas e conservadores não são exclusivas do anglicanismo, mas o papel do arcebispo é amplamente simbólico e depende de persuasão, ao contrário do papa, que exerce autoridade clara sobre os católicos em todo o mundo. Arcebispos recentes têm se esforçado para superar as divisões sobre questões LGBTQ+ e liderança feminina entre a Igreja da Inglaterra, agora mais progressista, e as províncias mais tradicionalistas em outros lugares. Um bispo da Igreja Anglicana no Quênia, que está alinhado com o Gafcon, adotou um tom mais conciliatório ao chegar a Canterbury. "Apesar de defendermos que isso (bênçãos entre pessoas do mesmo sexo) não é aceitável, queremos argumentar de dentro para fora para que as pessoas vejam também o motivo pelo qual chegamos a essa conclusão", disse o bispo Francis Omondi à Reuters. A própria Mullally enfatizou a unidade na diversidade, dizendo à Reuters em outubro passado: "Somos uma família com uma raiz compartilhada, e em qualquer igreja global há uma grande diversidade". Ex-enfermeira é recebida por crianças na catedral Sarah Mullally e membros do clero chegam para participar da cerimônia de posse dela como a 106ª e primeira mulher Arcebispa de Canterbury Toby Melville/Reuters No início da cerimônia desta quarta-feira, ela bateu na porta oeste da catedral, vestindo um manto preso por um fecho inspirado no cinto que ela usava como enfermeira do Serviço Nacional de Saúde. Em seguida, ela foi recebida por crianças. Mullally usou um anel dado a um de seus antecessores, Michael Ramsey, pelo papa Paulo 6º em 1966, um símbolo da melhoria dos laços entre anglicanos e católicos, séculos depois que o rei Henrique 8º se separou de Roma. Orações e leituras em vários idiomas, inclusive urdu, soaram pela catedral durante o culto, refletindo o alcance global da Igreja Anglicana. A quarta-feira marca a Festa da Anunciação -- uma celebração do relato bíblico de um anjo dizendo a Maria que ela seria a mãe de Jesus -- e esse foi o tema principal do culto. "Ao olhar para trás, para minha vda -- para a adolescente Sarah, que depositou sua fé em Deus e se comprometeu a seguir Jesus -- eu nunca poderia ter imaginado o futuro que tinha pela frente", disse Mullally.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/26/igreja-anglicana-quebra-tradicao-e-empossa-primeira-mulher-como-lider-espiritual.ghtml


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