Homem condenado por atirar na cabeça de torcedor do Náutico antes de jogo é preso 13 anos após crime
17/02/2026
(Foto: Reprodução) Lucas Lyra, torcedor do náutico baleado em 2013
Marlon Costa/Pernambuco Press
A Polícia Civil prendeu o homem que, há 13 anos, atirou na cabeça de um torcedor do Náutico antes de um jogo nos Aflitos, na Zona Norte do Recife. José Carlos Feitosa Barreto prestava serviço como segurança da empresa de ônibus Pedrosa quando baleou Lucas de Freitas Lyra, que tinha 19 anos.
José Carlos, que confessou o crime, foi condenado em 2018 a oito anos de prisão por tentativa de homicídio qualificado. Entretanto, ele respondia em liberdade enquanto aguardava o julgamento de um recurso.
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O crime ocorreu às 18h30 do dia 16 de fevereiro de 2013, na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, na frente do estádio do Clube Náutico Capibaribe, pouco antes de uma partida contra o Central, pelo Campeonato Pernambucano.
Lucas chegava para assistir ao jogo quando ocorreu uma confusão com torcedores do Sport, que passavam de ônibus pelo local. Após ser baleado na cabeça, Lucas ficou internado por mais de três anos e recebeu alta em agosto de 2016.
Jutiça condena a oito anos de prisão homem que tentou matar o estudante Lucas Lyra
De acordo com a família de Lucas, José Carlos foi preso no dia 10 de fevereiro, quando chegava ao trabalho. O g1 tenta contato com a defesa dele.
Ele perdeu 7% da massa cefálica e teve parte da coordenação motora do lado esquerdo comprometida, mas manteve a parte cognitiva preservada. Segundo a irmã dele, Mirella Lyra, embora com limitações, Lucas é um paciente estável. Entre as sequelas deixadas pelo crime estão a perda de audição dos dois ouvidos.
"Dentro das limitações, ele hoje é um paciente estável, não está tendo intercorrências clínicas. Mas Lucas permanece acamado, consciente e orientado, tendo crises ainda de engasgo, e ele pode morrer com essas crises, se não for feita a manobra de desengasgo de modo ágil. Ele perdeu a audição, mas é isso, ele segue um dia de cada vez. E todos os dias sob o cuidado de Deus", afirmou.
Em 2024, a Justiça condenou a empresa Pedrosa e o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano, que opera o sistema viário na região, a pagarem indenização de R$ 2 milhões a Lucas Lyra, por danos materiais, morais e estéticos.
A decisão, que saiu mais de 10 anos após o crime, também determinou o pagamento de pensão vitalícia para o jovem, no valor de três salários mínimos mensais.
Relembre o caso
Em 16 de fevereiro de 2013, Lucas Lyra, na época com 19 anos, foi baleado na cabeça durante um tumulto entre torcedores do Náutico e do Sport em frente ao estádio dos Aflitos, na Rona Norte do Recife;
O disparo ocorreu antes de uma partida do Campeonato Pernambucano, quando um ônibus com torcedores do Sport passou pelo local;
O autor do disparo foi José Carlos Feitosa Barreto, segurança contratado pela empresa Pedrosa para proteger os ônibus da companhia;
Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), José agiu de forma premeditada, impossibilitando a defesa da vítima. A defesa alegou que o disparo foi acidental;
Além de José, o MPPE responsabilizou outras três pessoas ligadas à Pedrosa, incluindo o diretor, o sócio e um borracheiro, que teriam contratado seguranças de forma irregular;
Segundo o MPPE, a empresa contratava pessoas sem qualificação para atuar como seguranças, oferecendo R$ 50 por dia para proteger o patrimônio em dias de eventos;
José Carlos espondeu por tentativa de homicídio qualificado, passou por julgamento em 2018 e foi condenado a 8 anos de prisão.
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