Grupo Fictor: o que faz a empresa, que pediu recuperação judicial após tentar comprar o Banco Master
02/02/2026
(Foto: Reprodução) Grupo Fictor pede recuperação judicial no TJ-SP
No domingo (1º), o Grupo Fictor entrou com pedido de recuperação judicial para a Fictor Holding e a Fictor Invest — empresas que concentram as participações societárias e as operações financeiras do conglomerado que tem mais de 10 empresas.
A empresa enfrenta uma crise de reputação e limitação no acesso a crédito desde a tentativa frustrada de comprar o Banco Master, em novembro. Segundo a Fictor, “um grande volume de notícias negativas” sobre a operação atingiu “duramente a liquidez” das duas subsidiárias.
Fundada em 2007, a Fictor teve origem no setor de tecnologia, como fornecedora de soluções para logística e gestão empresarial. Em 2013, realizou sua primeira operação de investimento e, a partir daí, iniciou um processo de diversificação dos negócios.
O grupo expandiu suas operações por meio de participações e investimentos em empresas de diferentes setores. Hoje, o conglomerado brasileiro atua nos segmentos de alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e financeiro.
A holding organizou seus negócios em três frentes principais: alimentos, serviços financeiros e infraestrutura.
A Fictor passou a atuar no comércio de commodities do agronegócio em 2018, ampliando sua presença na cadeia de alimentos. No setor de proteína animal, possui fábricas, granjas e frigoríficos em cinco estados: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A capacidade instalada permite o abate de até 150 mil aves por dia, com possibilidade de alcançar 350 mil em plena operação. A empresa afirma ter mais de 18 unidades nesse segmento e atender cerca de 5 mil clientes. Entre as marcas do portfólio estão Dr. Foods, Fredini e Vensa.
Em 2022, o número de empresas sob sua gestão chegou a 10. No ano seguinte, entrou no setor de energia com a criação da Fictor Energia, que atua principalmente com fontes renováveis, como usinas solares e hidrelétricas em estados como Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 2024, passou a oferecer soluções financeiras e meios de pagamento por meio da FictorPay e da Fictor Asset.
🏦 A Fictor Asset é a gestora de investimentos do grupo, voltada a fundos estruturados e outros tipos de ativos, e administra cerca de R$ 966 milhões em 10 fundos.
💳 A FictorPay atua no setor de meios de pagamento, oferecendo soluções de cobrança, crédito e tecnologia financeira para empresas.
Na área de infraestrutura, o grupo desenvolve projetos imobiliários, de logística e de geração de energia.
Também em 2024, a Fictor Alimentos S.A., braço do grupo no setor alimentício, foi listada na B3 sob o código FICT3. A Fictor Alimentos (FICT3) acumula queda superior a 63% desde o caso Master.
Ainda que o grupo alegue que as demais operações continuam normalmente, as ações da companhia de alimentos desabam 25,44% apenas nesta segunda-feira (2).
Entre 2024 e 2025, o grupo abriu escritórios no exterior, com unidades em Miami, nos Estados Unidos, e em Lisboa, em Portugal, além da sede em São Paulo.
A empresa afirma empregar mais de 10 mil pessoas, direta e indiretamente.
Expansão internacional e atuação no esporte
Além da expansão internacional, o Grupo Fictor passou a ganhar maior visibilidade por meio de patrocínios esportivos.
Em 2025, firmou contrato com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), considerado o maior patrocínio privado da história da entidade, com repasses de R$ 21 milhões até março de 2029.
Também se tornou patrocinador máster das categorias de base do Palmeiras e passou a estampar sua marca nas costas da camisa do time profissional.
O contrato com o clube paulista tem duração inicial de três anos, com valor fixo de R$ 25 milhões por temporada, que pode chegar a R$ 30 milhões com bônus.
Segundo representantes da empresa, a estratégia no esporte busca associar a marca a projetos de formação de atletas e ampliar a visibilidade nacional.
Recuperação Judicial
O pedido de recuperação judicial foi protocolado neste domingo (1º) pelo Grupo Fictor no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest.
Segundo a companhia, a medida busca “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, que somam cerca de R$ 4 bilhões.
🔎 Recuperação judicial é o processo em que uma empresa pede ajuda à Justiça para reorganizar suas dívidas, suspender cobranças por um período e tentar continuar funcionando, evitando a falência.
Em comunicado, o grupo afirmou que pretende quitar as dívidas “sem nenhum deságio” (desconto) e pediu à Justiça um prazo de 180 dias para suspender cobranças e bloqueios.
De acordo com a empresa, o objetivo é criar um ambiente de negociação estruturada e garantir a continuidade das atividades.
“Nesse período, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento, sem interromper as operações”, informou.
Tentativa de compra do Banco Master
A Fictor relaciona a crise de liquidez ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) em 18 de novembro de 2025.
À época, um consórcio liderado por um dos sócios do grupo havia anunciado uma proposta para adquirir o banco, mas a operação foi suspensa após a decisão da autoridade monetária.
Segundo a empresa, o episódio afetou diretamente sua imagem no mercado. “Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, diz a nota.
O grupo também ressaltou que, desde o início de suas operações, “não haviam sido registrados atrasos de nenhuma natureza” e que, diante da crise, colocou em prática um plano de reestruturação que incluiu a redução da estrutura física e do número de funcionários.
“Esse movimento foi feito antes do pedido de recuperação judicial para proteger os direitos dos colaboradores e agilizar o recebimento das indenizações trabalhistas”, afirmou.
Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de indústria alimentícia, energia, infraestrutura e soluções de pagamento. No pedido apresentado à Justiça, a empresa destacou que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias, que devem manter suas rotinas e contratos.
“O objetivo é evitar que empresas economicamente viáveis sejam afetadas por restrições típicas do processo recuperacional”, informou.
Em novembro, após a decisão do Banco Central sobre o Banco Master, o consórcio liderado pela Fictor havia declarado que a operação estava “integralmente condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores” e que se colocava “à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos”.
Sede da Fictor, em São Paulo
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