Fóssil de 500 milhões de anos mostra pela 1ª vez como eram as garras dos ancestrais de aranhas e escorpiões
02/04/2026
(Foto: Reprodução) Ilustração mostra como seria o Megachelicerax em vida, com corpo alongado, vários pares de apêndices e garras na parte frontal.
Masato Hattori
Um fóssil com meio bilhão de anos preservou, pela primeira vez de forma inequívoca, as garras dos ancestrais de aranhas, escorpiões, carrapatos e outros animais do grupo dos chamados quelicerados.
O espécime pertence a uma nova espécie batizada de Megachelicerax cousteaui e foi descrito em estudo publicado nesta quarta-feira (1º de abril) na revista científica "Nature" por pesquisadores da Universidade Harvard, nos EUA.
A descoberta resolve uma dúvida que perseguia os paleontólogos há décadas: quando e como essas estruturas surgiram.
Os quelicerados — grupo que reúne aranhas, escorpiões, carrapatos, caranquejas-ferradura e aranhas-do-mar — são reconhecidos por ter um par de garras na frente da cabeça, chamadas de quelíceras.
Candidatos a quelicerados do período Cambriano vinham sendo propostos há anos, mas nenhum convencia: as garras que definem o grupo nunca apareciam preservadas nos fósseis.
O Megachelicerax muda isso. Suas quelíceras são excepcionalmente grandes, o que permitiu identificá-las com clareza inédita, e confirmar que o grupo já existia há 500 milhões de anos.
"A primeira confirmação inequívoca de como eram os ancestrais de aranhas e escorpiões vem do fato de o fóssil mostrar as quelíceras em forma de pinça com detalhes extraordinários", disse ao g1 Javier Ortega-Hernández, professor associado de biologia evolutiva de Harvard e coautor do estudo.
"O que faltava era a peça principal do quebra-cabeça, que era a preservação das próprias quelíceras."
Imagem mostra o fóssil de Megachelicerax cousteaui preservado em rocha, com destaque para o corpo segmentado e apêndices ao longo das laterais; no detalhe, à direita, a região frontal com as garras.
Rudy Lerosey-Aubril
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Ao g1, Rudy Lerosey-Aubril, pesquisador de Harvard e autor principal do trabalho, também explica que as garras do fóssil têm apenas três segmentos — parecidas com as de quelicerados modernos — e que sua posição bem na frente da cabeça, onde outros artrópodes têm antenas, é decisiva para a identificação.
Por isso, o achado derruba ainda a ideia de que as garras ancestrais seriam longas e com muitos segmentos, sugerindo uma história evolutiva mais direta do que se pensava.
"Graças ao tamanho impressionante das quelíceras, há pouca dúvida de que essas estruturas correspondem, em posição, forma e organização, às quelíceras de quelicerados extintos e vivos — são simplesmente pelo menos 20 milhões de anos mais antigas", afirmou.
Fóssil de Megachelicerax cousteaui (à esquerda) é comparado com um quelicerado moderno (à direita), destacando as garras frontais — chamadas de quelíceras — usadas para identificar o grupo.
Rudy Lerosey-Aubril
"É a peça ausente que ajuda a completar o quadro da evolução inicial dos quelicerados."
Os cientistas agora pretendem analisar novos fósseis e comparar diferentes espécies para entender melhor como essas garras evoluíram ao longo do tempo.
Também seguem as buscas por novos exemplares em regiões como o deserto de Utah, nos Estados Unidos, onde o fóssil foi encontrado.
A expectativa é que novos achados ajudem a responder outras perguntas importantes — como quando esses animais começaram a ocupar ambientes terrestres.
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