Fortes chuvas alagam estradas, arrastam pontes e Roraima tem impacto em dez dos 15 municípios
27/05/2026
(Foto: Reprodução) Fortes chuvas alagam estradas, arrastam ponte e Roraima tem impacto em dez dos 15 municípi
Roraima tem ao menos 10 dos 15 municípios afetados pelas fortes chuvas registradas no mês de maio. Entre os impactos estão estradas alagadas, pontes destruídas, comunidades isoladas e rompimentos em rodovias e vicinais.
🌧️ Atualmente, Roraima está no período chuvoso, que começou em abril e segue até setembro. Até esta terça-feira (26), o estado registrou 315 milímetros de chuva, 90% dos 347 milímetros previstos para todo o mês, conforme a Defesa Civil estadual, que monitora a situação nos municípios.
O volume de chuva tem causado impactos como moradores isolados em vicinais alagadas, pontes arrastadas pela correnteza, rodovias rompidas, roças destruídas e até mortes de gado em propriedades rurais que ficaram ilhadas no pasto.
Há registros de incidentes nos municípios de Amajari, Alto Alegre, Bonfim, Cantá, Caracaraí, Iracema, Mucajaí, Normandia, Rorainópolis e Uiramutã (veja mais abaixo o cenário em cada região).
A Defesa Civil estadual, vinculada ao Corpo de Bombeiros, disse que a atuação tem sido focada nas situações urgentes e imediatas, como Normandia, Cantá e Caracaraí.
"Para os demais municípios, seguimos em monitoramento contínuo, principalmente em articulação com as defesas civis municipais, que têm um papel fundamental ao dar a primeira resposta para os eventos mais urgentes", explicou o coordenador geral de operações da Defesa Civil, tenente-coronel Robson Loureiro, de 38 anos.
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Bonfim
No município do Bonfim, ao menos 1,8 mil pessoas estão isoladas em seis comunidades indígenas: Ponto Cinco, Boca da Mata, Jacamim, Marupá, Apiaú e Água Boa. O isolamento ocorre porque, nessas regiões, a ponte sobre o rio Jacamim foi levada pela força da água, e bloqueou acesso à área.
Mais de sete comunidades indígenas foram afetadas, além de pelo menos três vicinais e duas rodovias.
Reprodução
A Prefeitura de Bonfim disponibilizou equipes, alimentação, veículos e pontos de apoio para atender as comunidades afetadas. Já a Defesa Civil do estado atua com apoio de embarcações na região.
Apesar do isolamento causado pelas chuvas, as comunidades com atividades de pecuária e agricultura, que não foram afetadas até o momento, informou o secretário de Infraestrutura, Francisco das Chagas.
Cantá
No município do Cantá, moradores da região do Taboca e dos projetos de assentamento Pau Brasil e Pau Rainha enfrentam isolamento temporário causado pelas chuvas. As áreas afetadas incluem as vilas Progresso e São Sebastião, além das vicinais 4, 5, 8 e 21.
O isolamento ocorre devido ao transbordamento de rios sobre estradas e vicinais. Na região do Taboca, a água passa sobre a RR-208 durante o período chuvoso.
Já nos assentamentos Pau Brasil e Pau Rainha, os rios Tracajá e Baruana transbordaram e bloquearam o único acesso às comunidades. Segundo a prefeitura, não houve rompimento de rodovias nem pontes destruídas no município.
"Não temos famílias desabrigadas. Elas ficam temporariamente isoladas", informou o secretário de Infraestrutura, Ronald Brasil. Segundo ele, a prefeitura tem acompanhado diariamente as regiões impactadas.
Caracaraí
Moradores de Caracaraí relataram que os transtornos nas estradas durante o inverno são antigos. O ribeirinho Rivander Galvão contou que, nessa segunda-feira (25), a água chegou a passar por cima da ponte do rio Barauana, na BR-432.
“Os carros ficaram todos parados, sem conseguir atravessar. Isso não é bom para a gente. As pessoas têm que largar as coisas para salvar seus animais [bois e vacas]”, relatou.
A reportagem procurou a prefeitura da região, mas não enviou resposta até a última atualização.
Normandia
No município de Normandia, comunidades das regiões de Copaíba, Pacu, Santa Maria, Travessão e Água Fria estão isoladas por causa das chuvas, segundo a prefeitura.
Na comunidade Copaíba, o acesso foi interrompido após a água romper a cabeceira de uma ponte e levar parte da estrutura. Já nas demais localidades, o isolamento ocorre porque o nível dos igarapés subiu e cobriu os pontos de travessia.
O município também informou que cinco comunidades do polo Santa Cruz — Santa Cruz, Jiboia, Macaco, Reforma e Serra Grande — ficaram isoladas nesta quarta-feira (27), após a água subir cerca de 80 centímetros acima da ponte da região.
"Estamos com equipes de brigadistas e servidores dando apoio com canoas para que a população estudantil não tenha prejuízo escolar", informou o Jurandir Roque, assessor da prefeitura.
Além disso, um trecho sem asfalto da BR-401 rompeu nessa terça-feira (26). A rodovia é a principal rota de acesso à região. O tráfego foi restabelecido após um desvio provisório ter sido construído no local.
O taxista Edson Júnior, de 25 anos, passa todos os dias pela estrada e disse que o acesso por rota alternativa tem sido um desafio. "Tem atoleiro e a água também está passando por cima da estrada", resumiu.
Uiramutã
Em Uiramutã, crianças foram fotografadas atravessando a estrada alagada na região da comunidade Nova Esperança. Além disso, moradores das comunidades Ingariko, Nova Esperança e Makuken, foram afetados pelas chuvas.
A Defesa Civil estadual informou que, até o momento, dez comunidades indígenas foram afetadas pela falta de água potável. Para atender os moradores, equipes realizam o abastecimento das casas com caminhão-pipa e caixas d’água.
A prefeitura informou que monitora e faz um levantamento sobre a real situação no município.
Amajari e Alto Alegre
Em Amajari, a estrada conhecida como "Antônio Menezes", na RR-342, que liga a sede do município ao Taiano, e também ao município de Alto Alegre, foi tomada por lama, o que causa atoleiros.
Além disso, comunidades indígenas como Ametista, Leão de Ouro, Santo Inês e Colônia, e a vicinal Paraíso, estão isoladas por causa das chuvas.
Segundo a Defesa Civil municipal, o principal problema é o rompimento de pontes e desvios improvisados, levados pela força da água.
Apesar das estradas estarem escorregadias e com lama, ainda há tráfego em alguns trechos. A Defesa Civil informou que prepara um relatório com o levantamento das localidades afetadas. A prefeitura de Alto Alegre não respondeu à reportagem.
Roranópolis, Mucajaí, Iracema
A situação é semelhante em Rorainópolis. Moradores registraram uma enchente na Vicinal 2. No local, uma moto precisou ser retirada da estrada com ajuda de uma corda.
Registros feitos na vicinal 5, região de Campos Novos, em Iracema, mostram o rio cheio e uma ambulância enfrentando dificuldades para atravessar sob ponte de madeira quebrada.
O município de Mucajaí também enfrenta problemas de acesso à comunidade do Apiaú. A Defesa Civil estadual prepara um relatório sobre a situação em todo o estado.
A reportagem tenta contato com as três prefeituras citadas.
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