Exame de sangue em teste no Brasil pode ajudar a detectar câncer de mama

  • 18/03/2026
(Foto: Reprodução)
Casos de câncer de mama podem chegar a 3,5 milhões por ano até 2050 Já pensou poder descobrir se tem câncer de mama apenas com uma pequena amostra de sangue? Um exame desenvolvido por pesquisadores brasileiros pode ser essa solução e ajudar no rastreamento do câncer de mama. A tecnologia, que ainda está em fase de testes, busca identificar sinais da doença por meio de biomarcadores presentes no sangue. A ideia é que ele seja usado como teste rápido para ampliar o acesso à informação para as pacientes pelo Brasil. ➡️ A pesquisa surge em um cenário preocupante: o câncer de mama é o terceiro tipo de câncer que mais mata no Brasil e, todos os anos, cerca de 20 mil mulheres morrem da doença, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Esses números chamam atenção porque o câncer de mama tem altas chances de cura quando descoberto nas fases iniciais. Mesmo assim, muitas mulheres ainda chegam ao diagnóstico em fases mais avançadas da doença. ➡️ Um dos principais obstáculos é o acesso ao rastreamento. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, a oferta de mamografia — principal exame para detectar o câncer de mama — ainda é desigual, especialmente em regiões mais afastadas e na rede pública de saúde. No SUS, o rastreamento do câncer de mama é recomendado para mulheres de 50 a 69 anos. Em 2025, o Ministério da Saúde passou a ampliar o acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos, sob avaliação médica. No entanto, a doença vem surgindo em mulheres cada vez mais jovens e de forma agressiva, já que não há rastreamento em faixas etárias menores. Teste consegue detectar presença de tumores no corpo por exame de sangue Divulgação O que é o teste? A tecnologia foi desenvolvida a partir de uma pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC. O teste usa uma técnica conhecida como biópsia líquida, que busca no sangue sinais moleculares associados ao câncer. Em vez de detectar o tumor por meio de imagens, como acontece na mamografia, o exame identifica alterações genéticas ligadas ao crescimento de células tumorais. No RosalindTest, nome dado ao produto, os pesquisadores analisam dois biomarcadores específicos: HIF-1α e GLUT1. Esses genes costumam ter alterações quando células tumorais passam por um processo chamado hipóxia — situação em que o tumor cresce em um ambiente com pouco oxigênio. Segundo os pesquisadores, essas alterações podem ser detectadas no sangue antes mesmo de o tumor ser identificado em exames de imagem. Nos estudos clínicos iniciais, o teste apresentou acurácia de cerca de 95%. A proposta é que, confirmados os resultados, o rastreamento do câncer de mama no país possa ser semelhante ao que ocorre no caso do câncer de próstata, por exemplo, em que é possível usar um teste de sangue. “A gente não pode impedir que o câncer apareça, mas podemos impedir que ele mate. E se o diagnóstico acontecer no estágio inicial, a gente quer facilitar o acesso e tornar o processo menos prejudicial para a mulher e evitar mortes”, explica Beatriz Aguiar, pesquisadora envolvida no projeto. A pesquisadora afirma que não só ampliaria o acesso chegando aos pacientes, como oferecendo uma opção menos dolorosa, aumentado a adesão ao rastreamento. 🔴 Atenção: a proposta é que o teste seja complementar aos exames de imagem, mas não substitua a mamografia. A ideia é que isso ajude o poder público a priorizar a paciente que testou positivo e também amplie a investigação nos casos em que os exames de imagem são negativos, mas há marcadores de tumores. Pesquisa quer ajudar a ampliar rastreio da doença que é a terceira que mais mata no Brasil Divulgação Teste pode ampliar acesso ao rastreamento Uma das principais apostas dos pesquisadores é que o exame possa ajudar a ampliar o acesso ao rastreamento, especialmente em regiões onde a mamografia é mais difícil. Enquanto o exame de imagem depende de equipamentos, infraestrutura hospitalar e profissionais especializados, a coleta de sangue pode ser feita em unidades de saúde menores ou em áreas mais remotas. 🔴 Nesse modelo, o teste funcionaria como uma etapa inicial de triagem. Caso o resultado indique alterações associadas ao câncer, a paciente seria encaminhada com prioridade para exames complementares, como mamografia ou biópsia. Em um projeto-piloto realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o exame foi aplicado em 600 mulheres que vivem no campo, no interior de São Paulo e do Ceará. Muitas delas nunca haviam realizado exames de rastreamento para câncer de mama. Entre as mais de mil mulheres acompanhadas na fase de validação, um caso em particular chamou a atenção dos pesquisadores: um dos testes revelou o resultado mais alto já registrado pela equipe, indicando uma forte presença de biomarcadores tumorais. No entanto, ao realizar a mamografia e o ultrassom, os resultados foram negativos. Intrigada com o sinal de alerta no sangue, a paciente buscou um especialista e realizou uma ressonância magnética, que finalmente localizou um tumor em primeiro estágio. Por ter sido descoberto precocemente, a paciente precisou apenas de uma intervenção cirúrgica, sem a necessidade de passar por tratamentos agressivos, como quimioterapia ou radioterapia. Teste ainda tem limitações Especialistas que não participaram da pesquisa avaliam que o projeto é promissor, mas destacam que ainda são necessários estudos maiores para confirmar a eficácia da tecnologia. Para o mastologista e cirurgião oncológico José Carlos Sadalla, iniciativas que buscam ampliar o acesso ao diagnóstico são importantes, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por muitas pacientes no sistema público. Porém, ele aponta ressalvas sobre a especificidade do exame, observando que os biomarcadores pesquisados podem estar alterados em outros tipos de câncer, e não apenas no de mama. 🔴 Sadalla ressalta que o teste ainda é uma “promessa” em fase de validação e que o número de pacientes testadas ainda precisa crescer para garantir segurança em larga escala. “É uma pesquisa brasileira e isso é muito legal. O estudo preliminar é bom, mostra que essas proteínas estão mais aumentadas no câncer do que em pessoas saudáveis, mas ainda foi testado em um número pequeno de pessoas. É uma promessa, então vamos com calma, mas, se funcionar, vai ser um excelente apoio para o rastreamento.”

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/03/18/exame-de-sangue-em-teste-no-brasil-pode-ajudar-a-detectar-cancer-de-mama.ghtml


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