Em reunião ministerial, Lula cobra equipe sobre entregas antes das eleições e exibe frase: 'O PIX é do Brasil'

  • 03/06/2026
(Foto: Reprodução)
Secretário de Comércio dos EUA diz a Mauro Vieira que quer continuar a dialogar sobre tarifas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu nesta quarta-feira (3) com sua nova equipe ministerial de 2026, em meio a ofensivas dos Estados Unidos contra o Brasil. Na ocasião, Lula cobrou sua equipe sobre entregas antes do período eleitoral e citou a medida proposta pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump de um novo tarifaço a produtos brasileiros. Na sala onde ocorreu o encontro, no Palácio do Planalto, Lula exibiu um slide com a frase: "O PIX é do Brasil", mesma usada em um cartaz que ele levantou durante um evento nesta terça, em Catalão, Goiás. "Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro tweet, do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exige, que um presidente comunique o outro, ou mande uma carta oficial para o outro", afirmou Lula. Lula conduz reunião ministerial com frase 'O PIX é do Brasil' exibida em telão Reprodução/Canal Gov "Eu fiquei sabendo da taxação primeiro pelo twitter [atual X]. E uma taxação substanciada com base em inverdades, porque o déficit que os EUA diz que tem com o Brasil, é o Brasil que tem contra ele. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, é o Brasil contra os EUA, não os EUA contra o Brasil", prosseguiu. Segundo Lula, o Brasil quer mostrar para os outros países e ao povo americano que as punições contra o Brasil são uma "insensatez". O presidente brasileiro repetiu uma frase que disse nesta terça durante um evento em Goiás, de que o secretário de Estado Marco Rubio "não gosta da América Latina". "Conhecemos a história, não queremos guerra, queremos a verdade da relação que dura 200 ano. E queremos fortalecer nossa relação com os Estados Unidos", argumentou. Sem citar nominalmente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como fez nesta quarta, Lula afirmou que há pessoas "tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos". "Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, interesses rasteiros, de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria. Alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles", declarou. Nova equipe Esse é o primeiro encontro coletivo do presidente Lula com sua equipe ministerial desde as trocas na Esplanada em abril, por conta do fim do prazo para desincompatibilização. Ao todo, 18 ministérios tiveram troca de titular. O último encontro neste formato foi no fim de março deste ano. 🔎O prazo de desincompatibilização é o período legal em que um ocupante de cargo ou função pública (como ministros, secretários, juízes ou diretores de estatais) deve se afastar de suas atividades para poder concorrer a um mandato eletivo. Outros assuntos que devem aparecer na pauta da reunião tem relação com o fim da jornada de trabalho com escala 6x1, que não deve ser acelerado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); e a nova indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizada por Lula (entenda mais a seguir). Sobretaxas dos EUA Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Sobretaxa stigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outros. A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Em nota, o governo brasileiro afirmou ter recebido o relatório dos EUA "com indignação" e que o documento foi feito após "provocação da família Bolsonaro". Para o governo, o documento é uma tentativa de ingerência em temas internos. Durante discurso em Catalão, Goiás, nesta terça-feira (2), Lula cobrou do presidente norte-americano Donald Trump uma reunião e afirmou que espera um telefonema para que Trump explique as medidas anunciadas. Uma segunda investigação dos Estados Unidos concluiu, nesta terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. No entendimento de interlocutores do governo, a nova taxa será somada aos 25% anunciados na segunda-feira (1°). Portanto, a sobretaxa passaria para 37,5%, próximo aos 40% impostos no ano passado. Nesta quarta (3), o governo dos Estados Unidos propôs a adoção de outra tarifa: uma sobretaxa por falha no combate ao trabalho forçado. Há 60 países na lista, incluindo o Brasil. Essa tarifa é de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, esse percentual deve se somar à taxa proposta no relatório norte-americano, divulgado na segunda. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026 REUTERS/Elizabeth Frantz Facções como organizações terroristas Na semana passada, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O governo brasileiro ainda avalia as consequências das medidas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que se reunirá nos próximos dias com autoridades dos Estados Unidos para discutir a decisão do país. No dia seguinte ao anúncio, o presidente Lula disse que o governo brasileiro pretende combater internamente o crime organizado e que não vai aceitar intervenções internacionais. Fim da escala 6x1 A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada e teve o apoio dos deputados dos partidos que compõem a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta terça-feira (2), o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a Casa não pode ser obrigada a "carimbar" a PEC que acaba com a escala 6x1, de autoria de deputados. A PEC foi enviada pela Câmara ao Senado na quinta-feira (28), um dia após ser aprovada pelos deputados. No mesmo dia, Alcolumbre enviou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma outra PEC que trata da jornada de trabalho. Indicação de Messias ao STF Em uma derrota histórica para o governo, o Senado rejeitou, em abril, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Na mesma semana, o Congresso derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados no 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, adversário político do petista. Na semana passada, Lula afirmou que vai reenviar ao Senado a indicação de Jorge Messias para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF), que está em aberto desde o ano passado.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/03/em-reuniao-ministerial-lula-cobra-equipe-sobre-entregas-antes-das-eleicoes.ghtml


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