Em meio a ofensivas políticas e comerciais de Trump, Lula busca fortalecer laços com Ásia

  • 24/01/2026
(Foto: Reprodução)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado diversificar parcerias internacionais diante do cenário de crescente tensão internacional decorrente de ofensivas políticas e comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para fortalecer as relações com a Ásia, o petista tem uma viagem marcada à Coreia do Sul, onde tentará fechar acordos econômicos diplomáticos. A movimentação do petista ocorre no momento em que Trump amplia discursos protecionistas e pressiona aliados históricos, o que tem gerado instabilidade no comércio global e reconfigurado alianças geopolíticas. O professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Oliver Stuenkel considera que o multilateralismo está "na pior crise das últimas décadas", e que atitudes como as de Donald Trump são do "mundo em que prevalece a lei da selva". Veja os vídeos que estão em alta no g1 "É um mundo em que poder militar é mais relevante e o Brasil sempre tem apostado no multilateralismo. Esse multilateralismo agora está em crise, a pior das últimas décadas", disse o analista ao g1. Stuenkel diz também ver uma tendência de disputa ainda maior entre grandes potências com reflexos no mundo e na América Latina. No Planalto, a leitura é de que o contexto abre espaço para o Brasil reforçar sua atuação internacional com base no multilateralismo e na ampliação de mercados fora do eixo tradicional Estados Unidos –Europa. Apesar da crise na Venezuela e das decisões de Trump, o especialista acredita que a América do Sul continua como uma região com baixo risco geopolítico, pelo fato do Brasil ter boas relações com praticamente todos os países do mundo. A visita à Coreia do Sul faz parte de uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de aprofundar laços com países asiáticos, considerados parceiros-chave em áreas como comércio, tecnologia, indústria, energia e transição verde. A expectativa é que a viagem resulte em acordos e sinalizações políticas que reforcem o protagonismo do Brasil em um cenário global cada vez mais fragmentado. Parceiro comercial O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto em dezembro de 2025 Ricardo Stuckert/Presidência da República Do ponto de vista econômico, a aproximação com a Ásia é vista, dentro do governo e do Itamaraty, como uma forma de reduzir a dependência de mercados tradicionais e proteger o país de eventuais choques provocados por medidas protecionistas dos Estados Unidos. A exemplo do que aconteceu no ano passado, com o tarifaço de Donald Trump. A Coreia do Sul é considerada um parceiro estratégico para o Brasil em setores como indústria automotiva, semicondutores, tecnologia, infraestrutura e energia limpa, além de ser um importante investidor estrangeiro em potencial. "A Coreia do Sul, por exemplo, é um grande produtor de armamentos. O Brasil também precisa diversificar os seus fornecedores diante um cenário global muito imprevisível. Então, acho que tem um grande potencial para essa relação bilateral", diz Stuenkel A expectativa é ampliar o fluxo comercial, atrair investimentos e abrir espaço para acordos que fortaleçam a competitividade da economia brasileira em um cenário global mais instável. Os movimentos recentes no cenário internacional sinalizam o início de uma reconfiguração da ordem global. Enquanto os Estados Unidos adotam uma postura de confronto, a China avança de forma discreta, ampliando sua influência econômica, comercial e diplomática. "Estamos caminhando para um sistema efetivamente multipolar. Os Estados Unidos e a China são as duas potências dominantes, mas temos polos como a União Europeia e a Índia que que, estão em processo de aumentar muito sua autonomia estratégica", avalia Stuenkel. China Recentemente, o presidente Lula e o presidente chinês conversaram por telefone, por cerca de 45 minutos. Os líderes trataram sobre a necessidade de proteger interesses e fortalecer o papel da Nações Unidas no cenário de conflito geopolítico. A conversa ocorreu no mesmo dia em que Trump lançou oficialmente o seu Conselho da Paz. Os EUA também protagonizam um momento de tensão geopolítica após invadirem a Venezuela e capturarem o presidente Nicolás Maduro. Semanas depois, Trump já ameaçou outras ofensivas, no Irã e na Groenlândia. "O comportamento do Brasil em relação à pressão americana, por exemplo, só pode ser explicado pela ascensão da China. O Brasil hoje depende muito menos dos Estados Unidos, porque tem uma ampla cooperação com a comercial com a China", concluiu o professor Oliver Stuenkel.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/01/24/em-meio-a-ofensivas-politicas-e-comerciais-de-trump-lula-busca-fortalecer-lacos-com-asia.ghtml


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