Compliance Zero: Polícia Federal aponta ligação de Daniel Vorcaro com o jogo do bicho

  • 14/05/2026
(Foto: Reprodução)
PF aponta ligação de Vorcaro com o jogo do bicho Documentos da investigação da Polícia Federal apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro mantinha ligação com operadores do jogo do bicho e utilizava a influência de contraventores para intimidar desafetos e proteger interesses da família. A PF deflagrou, na manhã desta quinta-feira (14), mais uma fase da Operação Compliance Zero, que prendeu o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, classificado como um dos operadores do esquema que perseguia "inimigos" do grupo. Segundo uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro ocupava posição central na organização investigada e tinha suas ordens executadas por diferentes núcleos operacionais. Um deles, chamado de “A Turma”, reunia integrantes responsáveis por ameaças, coerções e levantamentos clandestinos, com participação direta de operadores ligados ao jogo do bicho. LEIA TAMBÉM Pai de Daniel Vorcaro é preso pela PF em nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga caso Master Empresa que repassou dinheiro para filme sobre Bolsonaro recebeu R$ 159 milhões de fundos investigados pela PF ligados a Vorcaro 6ª fase da Compliance Zero mira alvos ligados a Vorcaro que intimidavam pessoas e invadiam sistemas Míriam Leitão explica operação policial do Caso Master que prendeu pai de Daniel Vorcaro A PF cita especificamente a relação de Vorcaro com Manoel Mendes Rodrigues, descrito nos documentos como “empresário do jogo” no Rio de Janeiro. De acordo com os investigadores, Manoel liderava um braço local da organização e atuava como aliado próximo do banqueiro. A investigação afirma que Manoel Mendes era usado como “instrumento de pressão física e moral” em favor dos interesses da família Vorcaro. Para a polícia, a reputação de Manoel no meio da contravenção era explorada para dar credibilidade às ameaças e causar medo nas vítimas. Relatos reunidos pela PF indicam que Manoel Mendes realizava abordagens intimidatórias e ameaças presenciais sob ordens diretas de Daniel Vorcaro. Um dos episódios citados ocorreu em Angra dos Reis, onde, segundo os investigadores, Manoel se apresentou como amigo de Vorcaro e mencionou sua atuação no jogo do bicho durante as intimidações. Ainda segundo os documentos, a estrutura ligada à contravenção era usada para operacionalizar ações de coerção, cobrança e proteção clandestina dos interesses do grupo investigado. A Polícia Federal sustenta que a conexão entre Vorcaro e operadores do jogo do bicho não era apenas circunstancial, mas fazia parte da engrenagem utilizada para execução das ações atribuídas à organização criminosa. LEIA TAMBÉM Quem são 'A Turma' e 'Os Meninos', grupos alvos da nova fase da Compliance Zero que intimidavam pessoas e invadiam sistemas Homem preso em operação sobre o Master havia fugido com o carro de 'Sicário' de Vorcaro em março Pai de Daniel Vorcaro usava telefone da Colômbia para dificultar ser rastreado Vorcaro tinha aliados dentro da PF que intimidavam e forneciam dados sigilosos, diz decisão A investigação da Polícia Federal (PF) aponta que integrantes da própria corporação, entre eles, uma delegada e policias em atividade e aposentados, atuavam para intimidar desafetos, obter informações sigilosas e monitorar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro. Os suspeitos participavam do núcleo chamado de "A Turma", voltado para a prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que mirou o pai de Daniel Vorcaro e outros seis alvos de mandados de prisão nesta quinta-feira (14). De acordo com a PF, o grupo liderado por Marilson Roseno da Silva era usado pelo pai de Vorcaro, Henrique Vorcaro, para demandar de vantagens ilícitas. Investigadores apontam ele também era o operador financeiro dos pagamentos. A defesa de Henrique Vorcaro informou, em nota enviada à TV Globo, que a decisão se baseia em fatos que, segundo os advogados, ainda não tiveram sua legalidade e justificativa comprovadas no processo (veja a íntegra mais abaixo). Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro Reprodução Entre os integrantes da Polícia Federal investigados estão: Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado; Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro; Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada da PF; Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado; Valéria e Francisco, segundo investigadores, atuavam no repasse de informações sigilosas para o Marilson Roseno a partir de consultas realizadas no sistema e-Pol, plataforma interna utilizada pela corporação. Para a Polícia Federal, o conjunto de condutas aponta para uma infiltração do grupo em “circuitos informacionais sensíveis”, com uso de pessoas próximas ou funcionalmente habilitadas para facilitar a circulação de recursos financeiros e de dados sigilosos em benefício da organização criminosa. Investigadores apontam que o segundo grupo, chamado "Os Meninos", teria perfil eminentemente tecnológico e seria voltado para a prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal. Segundo a autoridade policial, ambos eram, à época dos fatos, gerenciados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que era chamado pelo apelido de “Sicário”, e que tinha como objetivo atender a comandos do "núcleo central da organização criminosa". 6ª fase da Compliance Zero A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (14) Henrique Vorcaro durante nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas à instituição. Os alvos seriam integrantes de grupos criminosos conhecidos como "A Turma" e "Os Meninos", que, segundo a PF, integravam a estrutura paralela de vigilância e intimidação supostamente comandada pelo banqueiro. Henrique Vorcaro era responsável por demandar serviços e efetuar os pagamentos dos integrantes desses núcleos, nos quais eram combinados os crimes de coação e vazamento de informações. Eles são suspeitos de integrar uma organização criminosa acusada de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos. O pai de Daniel Vorcaro foi preso em Nova Lima, na região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), no início da manhã. Ele é um dos sete alvos de mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão cumpridos nesta quinta. Veja quem são os alvos dos mandados de prisão: Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro; David Henrique Alves; Victor Lima Sedlmaier; Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos; Manoel Mendes Rodrigues; Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro; Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado. Dados sigilosos A representação da Polícia Federal afirma ainda que, em 2024, Marilson Roseno da Silva buscou auxílio de pelo menos três policiais federais para realizar consultas indevidas em sistemas internos da corporação. O objetivo, segundo os investigadores, era descobrir o conteúdo de um inquérito policial, no qual Henrique Moura Vorcaro teria sido intimado. Em um trecho destacado pela autoridade policial, Marilson aciona Anderson Wander da Silva Lima e informa que “um parceiro vai encontrar comigo aqui e vai trazer uma sucinta aqui”, ao lado da imagem da intimação dirigida a Henrique Moura Vorcaro. Para os investigadores, o episódio reforça a suspeita de que a estrutura clandestina mobilizada por Marilson e pelo grupo conhecido como “A Turma” não atuava apenas em intimidações e cobranças, mas também na obtenção de informações sigilosas relacionadas a investigações de interesse direto de Henrique Vorcaro. O que dizem os alvos A defesa de Henrique Vorcaro enviou a seguinte nota: "Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje". O g1 ainda não conseguiu contato com os demais investigados.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/05/14/compliance-zero-policia-federal-aponta-ligacao-de-daniel-vorcaro-com-o-jogo-do-bicho.ghtml


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