Caso Master-BRB: saiba como checar no Banco Central se há dívidas indevidas em seu nome

  • 07/02/2026
(Foto: Reprodução)
Diretora do BRB recomendou atenção à liquidez do Master 4 dias antes de tentativa de compra Como o g1 mostrou na nesta semana, alguns clientes que contrataram empréstimos ou serviços financeiros no Will Bank ou no Banco Master encontraram dívidas registradas como ativas ou em atraso nos sistemas do Banco Central. Os relatos apontam o Banco de Brasília (BRB) como responsável pelos registros, em casos de dívidas que já foram quitadas junto ao Master ou ao Will Bank e até de débitos que nunca existiram, de clientes que nunca tiveram conta no banco brasiliense. Os clientes perceberam a situação ao consultar o Registrato, sistema do BC que permite acessar relatórios com informações pessoais ou de empresas. Esses documentos reúnem dados que bancos e instituições financeiras compartilham com o Banco Central. O BC já vinha acompanhando indícios de irregularidades na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB. Entre os indícios de fraudes está a ausência de transferências bancárias comprovando que as pessoas de fato pegaram o empréstimo. Com isso, empréstimos que não foram contratados podem aparecer como ativos no sistema de informações do Banco Central. Segundo apuração da TV Globo, 40 mil pessoas estão nessa situação. 🔎 ACONTECEU COM VOCÊ? MANDE O SEU RELATO PARA A REPORTAGEM DO G1 Nesta reportagem, o g1 te explica mais sobre o caso e mostra como consultar seu nome. Veja abaixo: Por que essas dívidas apareceram? Como os contratos do Will Bank e do Master foram parar no BRB? Como saber se eu fui afetado? Como faço para acessar o Registrato? Tenho uma dívida indevida ou inexistente registrada no meu nome, e agora? Veja a nota do BRB na íntegra Por que essas dívidas apareceram? Segundo o BRB, após a liquidação do Will Bank, o banco “deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas”. O banco também afirmou que, pelas regras, a instituição que concedeu os empréstimos ou serviços é responsável por acompanhar os pagamentos e repassar os valores correspondentes ao BRB. “Após a liquidação, esse fluxo não foi retomado ainda pelo liquidante, de modo que o BRB ainda não dispõe de informações suficientes para a baixa das operações. Por essa razão, alguns contratos apareceram como ativos ou inadimplentes no Sistema de Informações de Créditos (SCR), mesmo já tendo sido pagos no banco de origem”, informou o BRB em nota. Veja a nota do BRB na íntegra ao final desta reportagem. O g1 tentou contato com Eduardo Bianchini, liquidante nomeado pelo Banco Central para o Will Bank e o Banco Master, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Volte ao menu. Relembre a tentativa do BRB de comprar do Banco Master: Relembre a tentativa do BRB de comprar o Banco Master Como os contratos do Will Bank e do Master foram parar no BRB? O vínculo se deu porque o BRB vinha comprando carteiras de crédito do Master desde 2024 e chegou a anunciar um acordo para comprar o banco em março de 2025, em uma operação estimada em R$ 2 bilhões. A transação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central em setembro. Após a liquidação extrajudicial do Master, uma operação da Polícia Federal passou a investigar um suposto esquema de fraudes bilionárias do banco de Daniel Vorcaro, em que o BRB teria comprado R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de baixa qualidade, pertencentes ao Master e sem garantia financeira. Como compensação pelas carteiras problemáticas vendidas anteriormente, o Master transferiu novas carteiras ao banco brasiliense. Nelas, parte dos empréstimos teria sido originada pelo Will Bank. É daí que, supostamente, teriam surgido os dados dos clientes que estão sendo notificados pelo BRB sobre essas dívidas. Volte ao menu. Infográfico - Clientes do Master e do Will Bank afirmam que o BRB registrou dívidas quitadas ou inexistentes no BC Arte/g1 Como saber se eu fui afetado? Qualquer pessoa pode acessar o Registrato do Banco Central usando o CPF para consultar suas informações financeiras. Pelo sistema, é possível saber quais empréstimos existem em seu nome, em quais bancos você tem conta, quais chaves PIX estão cadastradas, além de registros de cheques sem fundos e de operações de compra ou venda de moeda estrangeira feitas em seu nome. Além disso, é possível verificar se você tem valores a receber e acompanhar pedidos de informação, reclamações e registros feitos nas ouvidorias do Banco Central. Empresas também podem acessar as informações vinculadas ao seu CNPJ. Volte ao menu. Como faço para acessar o Registrato? Para acessar o sistema e fazer a consulta, é preciso entrar com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas ativada. Não é possível acessar o Registrato sem uma conta gov.br. SAIBA MAIS: Veja como abrir uma conta gov.br A conta gov.br precisa estar em níveis mais altos porque eles indicam que a identidade do usuário foi verificada com mais segurança — e o Registrato reúne dados financeiros sigilosos. Veja o passo a passo: Faça login no sistema com a conta gov.br com a verificação em duas etapas habilitadas; Clique na opção "Empréstimos e Financiamentos (SCR)"; Selecione a opção "Solicitar novo relatório"; Escolha a opção para visualizar o relatório resumido, baixar o documento ou recebê-lo por email; O documento contará com todas as informações de dívidas abertas ou vencidas contratados. Volte ao menu. Tenho uma dívida indevida ou inexistente registrada no meu nome, e agora? De acordo com especialistas consultados pelo g1, a orientação é que o consumidor entre em contato com a instituição e solicite, por escrito, o contrato, o valor atualizado, quem está fazendo a cobrança e de qual banco veio a dívida. “Se não há contrato, trata-se de uma cobrança indevida. Nesses casos, o consumidor deve formalizar a reclamação junto à instituição, gerar um protocolo e exigir a interrupção da cobrança”, diz Pedro Ramunno, professor de direito empresarial do Mackenzie. Se a situação não for resolvida, o ideal é que o consumidor registre reclamações em órgãos competentes — como Procon e Consumidor.gov — e, se necessário, avalie recorrer à Justiça. “Pode ser que a situação seja regularizada com o tempo, mas isso pode demorar ou nem acontecer. Nesses casos, o consumidor pode ter que recorrer à Justiça, seja por meio do Juizado Especial ou da Justiça comum”, completa Gustavo Kloh, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Direito do Rio de Janeiro. Volte ao menu. Veja a nota do BRB na íntegra O BRB informa que, após a liquidação do Will Bank, deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas. Pelas regras contratuais, o banco que originou os créditos deve acompanhar os pagamentos e, na sequência, fazer o envio dos dados e dos valores correspondentes ao BRB. Após a liquidação, esse fluxo não foi retomado ainda pelo liquidante de modo que o Banco ainda não dispõe de informações suficientes para a baixa das operações. Por essa razão, alguns contratos apareceram como ativos ou inadimplentes no Sistema de Informações de Créditos (SCR), mesmo já tendo sido pagos no banco de origem. O BRB realizou conciliações internas e encaminhou comunicados ao liquidante solicitando a retomada do processo, por parte dele. O Banco destaca, ainda, que a compra das carteiras seguiu todas as regras e contratos, e lembra que toda operação de crédito é registrada no SCR. O Banco segue atuando junto ao liquidante para normalizar a situação, tomando medidas internas e está preparado para realizar a correção imediata dos dados assim que houver retorno do administrador do banco em liquidação. Seguimos acompanhando o tema de perto e cobrando os responsáveis pelo envio das informações para que a normalização ocorra no menor prazo possível. Volte ao menu. Banco Central do Brasil (BC) Marcello Casal/Agência Brasil

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/02/07/saiba-como-checar-no-banco-central-se-ha-dividas-indevidas-em-seu-nome.ghtml


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