Carta de esposa ajudou polícia a desvendar assassinato de taxista em RR: 'resolver do meu jeito'

  • 23/03/2026
(Foto: Reprodução)
Carta de esposa acusada de mandar amante matar taxista foi evidência de crime premeditado, segundo investigação. Reprodução Uma carta manuscrita encontrada na cena do crime ajudou a Polícia Civil a desvendar o assassinato do taxista Mário Araújo de Oliveira. Ele foi morto a tiros aos 39 anos enquanto dormia, em setembro de 2023, no João de Barro, em Boa Vista. O bilhete foi escrito pela dele, Auana Sagica Ribeiro, acusada de ser a mandante. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp O documento, anexado ao inquérito policial, foi localizado na casa onde o casal morava. Na mensagem, Auana avisa que faria uma viagem a trabalho e faz uma ameaça direta sobre o fim do relacionamento. "Quando eu voltar resolvo esse problema da nossa separação. Eu quis entrar em acordo com você, porém você não quis, então vou resolver do meu jeito quando voltar...", diz a carta. Para a polícia, o texto comprova que ela planejou o homicídio após o marido recusar um acordo na divisão de bens durante a separação do casal. Durante as investigações, Auana tentou se defender ao afirmar que o bilhete era antigo. No entanto, familiares de Mário confirmaram à polícia que a separação era recente e que Auana havia retornado de uma viagem ao interior do estado dias antes do crime. Para os investigadores, "resolver do meu jeito" significava a execução do plano principal, motivado por interesse financeiro, para herdar o patrimônio do taxista. A reportagem procurou Auana Sagica, mas ela não quis se manifestar neste momento sobre o caso. Acusada de mandar amante matar marido A Polícia Civil concluiu que o assassinato Mário Araújo de Oliveira foi planejado por Auana, com ajuda de um amante, à época com 16 anos, e o tio dele, de 28. O trio forjou um assalto à residência do casal para tentar encobrir o homicídio premeditado. A ideia de Auana, segundo as investigações, era ficar com os bens do marido. Ela e Enoque Galvão Paulino, tio do amante, são réus desde novembro de 2024 e devem ir a júri popular. No entanto, a Justiça ainda não definiu a data. O suspeito Thiago Galvão Paulino, de 18 anos, apontado como amante de Auana e que, à época do crime, era adolescente, ainda responde pelo caso na Vara da Infância e da Juventude. O inquérito também aponta que Auana mantinha um relacionamento extraconjugal com o adolescente. Auana responde em liberdade e a Justiça precisou desmembrar o processo de Enoque, por considerar que ele se encontra em "local incerto e não sabido". Auana Sagica Ribeiro, o amante dela, Thiago Galvão Paulino, e o tio dele, Enoque Galvão Paulino, acusados de assassinato de taxista. Reprodução A defesa de Thiago Galvão, que está preso por outro crime, não foi localizada. Enoque Gavão não foi localizado pela reportagem. Leia mais: Taxista é morto a tiros dentro de casa e tem carro roubado por dupla em RR Esposa é acusada de mandar amante matar taxista e família cobra condenação Reviravolta no caso Inicialmente, o crime foi registrado como latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Entretanto, a PC descobriu que a invasão foi armada para encobrir um assassinato planejado. Minutos antes do crime, o adolescente e o tio dele, Enoque, estavam em um bar próximo à casa e pediram o celular de um homem emprestado. Eles usaram o aparelho para avisar Auana que estavam a caminho, mas devolveram o telefone sem apagar as mensagens. No dia seguinte, ao ler as conversas, o dono do celular tentou extorquir R$ 20 mil de Auana pelo seu silêncio. Como não recebeu o pagamento, ele enviou as capturas de tela das mensagens para as irmãs de Mário, entregando a prova fundamental da trama à família. Em uma das conversas, o homem pressiona Auana e repete as mensagens que ela havia enviado aos assassinos para simular o roubo. No texto, ele relembra a esposa das mensagens que ela enviou aos criminosos para facilitar o crime: "coloque a arma na minha cabeça", e "você entra pelo outro lado da casa". Veja na imagem abaixo. Troca de mensagens entre esposa de taxista e homem que teve celular emprestado por executores da vítima. Reprodução O inquérito conclui que essas orientações permitiram que Thiago e o tio entrassem na residência sem precisar arrombar as portas. Em outro print, é possível ver uma marcação de mensagem enviada por Auana em que ela confessa o crime, ao dizer: "Se eu for presa, vou ter que dizer quem são os outros e quem sabe de tal situação". O crime Enoque imobilizou o taxista com uma "gravata", enquanto o adolescente atirou três vezes com o revólver calibre .38 da própria vítima. Para sustentar a versão de roubo, os executores fugiram levando o carro de Mário, um veículo Fiat Strada que foi abandonado poucas horas depois. Além das mensagens no celular, a polícia anexou ao processo um áudio vazado em que o adolescente confessa friamente a autoria dos disparos. Segundo o inquérito, a principal motivação de Auana era financeira. Esposa é acusada de mandar amante matar taxista e família cobra condenação em Roraima Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/03/23/carta-de-esposa-ajudou-policia-a-desvendar-assassinato-de-taxista-em-rr-resolver-do-meu-jeito.ghtml


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