Alunos da Universidade Santa Úrsula denunciam irregularidades em cortes de bolsas de estudo

  • 27/01/2026
(Foto: Reprodução)
Alunos da Universidade Santa Úrsula denunciam irregularidades em cortes de bolsas de estudo Alunos bolsistas da Universidade Santa Úrsula (USU) reclamam que foram surpreendidos com cortes em percentuais das bolsas de estudo no começo deste ano. Sem parte do auxílio, eles temem não terminar o curso de graduação. Os estudantes dizem que os cortes estão em discordância com o contrato que assinaram. Tawan Ferreira conta que ingressou no curso com 70% de bolsa garantida em contrato e, do nada, recebeu um e-mail da instituição dizendo que o percentual de desconto caiu para 65%. “A minha bolsa seria reduzida em 5% e eu teria que pagar a primeira mensalidade, de janeiro, integral. E me responderam isso e disseram que eu teria que pagar, no mesmo dia, o valor de R$ 2 mil. É um valor que eu não tenho como e, se não pagasse, perderia a minha bolsa de vez, o que me faria sair da universidade”, disse Tawan, que cursa Psicologia. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do Rio em tempo real e de graça Os alunos dizem que foram pegos de surpresa e que o desconto, que era garantido em contrato até o fim do curso, foi cortado sem aviso prévio. O contrato afirma que a bolsa conquistada no ato da matrícula deve valer até o fim do curso. A cláusula determina ainda que só são permitidas mudanças em casos de trancamento, desistência, cancelamento de matrícula ou reprovação. No caso do curso Medicina Veterinária, o estudante do último período que tinha um desconto de 60%, que foi retirado, terá que pagar quase R$ 9 mil de mensalidade. Aumento A universidade informou para os alunos que a redução das bolsas foi uma decisão da entidade mantenedora. Os alunos afirmam que têm dificuldade de falar com a universidade. “Nós ficamos de mãos atadas e sem saber o que fazer. Porque quando a gente pergunta em relação a ele, como teríamos comunicação com ele, alegam que não tem como fazer nada. Isso é um relato dos funcionários”, disse Felipe de Aguiar Reis, que cursa Direito. A instabilidade tem afetado a vida acadêmica e a saúde física e emocional dos estudantes. “Você fica com ansiedade. Tem alunos que estão com pressão alta, crise de pânico”, disse Douglas Menezes, que estuda Psicologia. Sem brecha O professor Gustavo Kloh, que dá aula na Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, analisou o contrato e disse que não há brechas que justifiquem a atitude da Universidade Santa Úrsula. “A atitude da mantenedora é uma atitude que viola o direito do consumidor e, portanto, precisa ser reprimida. Os alunos têm razão de lutar pela manutenção do percentual e eles podem fazer uma negociação, sem sombra de dúvida", disse Kloh. "Mas eles podem buscar também a proteção do consumidor nos órgãos administrativos, Procon municipal, estadual. E podem judicializar a questão, com advogado, e conseguir que valha o seu direito na Justiça”, acrescentou. Universidade Santa Úrsula Reprodução/TV Globo O que diz a Universidade Santa Úrsula A Universidade Santa Úrsula disse que respeita integralmente os contratos firmados com seus estudantes e não adota medidas gerais de retirada de benefícios que contrariem as condições pactuadas. E que situações de reajuste, adequação ou reprocessamento de valores, quando ocorrem, são em decorrência de critérios contratuais e acadêmicos previstos. A universidade disse ainda que o enquadramento de cada aluno depende das regras vigentes. A instituição foi também questionada pela TV Globo sobre qual a cláusula que prevê a mudança no percentual das bolsas, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/rj1/noticia/2026/01/27/alunos-da-universidade-santa-ursula-denunciam-irregularidades-em-cortes-de-bolsas-de-estudo.ghtml


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